Decisão de Trump de substituir catapultas eletromagnéticas por sistemas a vapor no porta-aviões USS Doris Miller pode custar bilhões e atrasar o projeto.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O presidente Donald Trump ordenou formalmente que a Marinha dos Estados Unidos abandone o moderno sistema de catapultas eletromagnéticas (EMALS) em seus futuros porta-aviões e retorne à tecnologia a vapor, uma decisão que pode custar bilhões de dólares e gerar atrasos significativos. Atualizado em 14 de agosto de 2026.
A diretriz, oficializada em um memorando de 13 de agosto, dá ao Pentágono um prazo de 60 dias para apresentar um plano de substituição, começando pelo USS Doris Miller (CVN-81), o quarto porta-aviões da classe Gerald R. Ford, que já está em construção.
A decisão reflete uma preferência de longa data de Trump, que critica o sistema EMALS desde seu primeiro mandato, em 2017. O presidente argumenta que a tecnologia mais antiga, a vapor, é mais confiável e menos complexa. Em eventos recentes, ele afirmou que o sistema eletromagnético é "complexo demais" e que "não é nem de longe tão bom", citando supostos problemas de funcionamento com a presença de água, conforme noticiado pela CNN Brasil.
A Casa Branca defende a medida afirmando que ela visa "resolver problemas críticos de longo prazo" e equipar os navios com tecnologias já testadas em combate, segundo a Gazeta do Povo.
Especialistas navais e a indústria alertam para as graves consequências financeiras e operacionais da mudança. A troca de tecnologia exigirá um redesenho profundo do USS Doris Miller, cujo projeto foi concebido em torno de uma arquitetura elétrica, eliminando as extensas tubulações de vapor.
De acordo com Bryan Clark, pesquisador do Hudson Institute, a alteração pode acrescentar "bilhões de dólares" ao custo do navio e atrasar sua entrada em serviço, prevista para cerca de 2034, para o final da década de 2030. A complexidade aumenta porque a construção do porta-aviões já começou e a fabricante do EMALS, General Atomics, informou que quase 50% da produção dos sistemas para o navio já está concluída, conforme relatado pelo Poder Naval.
Além do redesenho, a Marinha dos EUA enfrenta um desafio logístico: não existem mais fabricantes de catapultas a vapor no país. A linha de produção precisaria ser recriada do zero, um processo que levaria anos e custaria dezenas de milhões de dólares apenas para começar, aponta a CNN. A General Atomics contestou a ordem, afirmando que a mudança "merece uma reconsideração cuidadosa" e introduz "riscos significativos em termos de custos, calendário e integração".
A ordem de Trump impacta diretamente o USS Doris Miller (CVN-81), o quarto porta-aviões da classe Gerald R. Ford. Os três primeiros navios da classe — USS Gerald R. Ford, USS John F. Kennedy e USS Enterprise — manterão o sistema eletromagnético EMALS.
O Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves (EMALS) é uma tecnologia moderna que utiliza energia eletromagnética para impulsionar caças do convés de um porta-aviões. Ele substitui o sistema a vapor, sendo considerado mais eficiente, suave para as aeronaves e exigindo menos pessoal para operar.
Estimativas de especialistas navais apontam que a mudança custará bilhões de dólares, devido à necessidade de redesenhar o navio, retomar uma linha de produção inexistente e integrar a antiga tecnologia em um projeto moderno. A medida também deve atrasar a entrega do navio em vários anos.
A ordem executiva de Donald Trump para reverter a tecnologia de lançamento de aeronaves nos mais avançados porta-aviões dos EUA representa uma intervenção direta em decisões de engenharia militar de alta complexidade. Contrariando a preferência da Marinha e de especialistas, a decisão de voltar às catapultas a vapor no USS Doris Miller impõe desafios significativos de custo, cronograma e capacidade industrial, com potencial para impactar a prontidão da frota naval americana na próxima década.
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