Longe do conflito, a cidade de Paraty (RJ) virou um destino para russos e ucranianos recomeçarem. Entenda os motivos da escolha e os desafios da adaptação.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cidade histórica de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, tornou-se um refúgio inesperado para famílias russas e ucranianas que buscam segurança e um futuro pacífico para seus filhos, longe da guerra iniciada em fevereiro de 2022. Desde o início do conflito, o Brasil registrou 178.661 movimentos de entrada de cidadãos russos e 101.017 de ucranianos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Atualizado em 3 de outubro de 2026.
A escolha por Paraty é motivada por uma combinação de fatores: a busca por cidades pequenas, com clima tropical, praias e a percepção de um ambiente seguro para criar os filhos. A russa Lucy Maratkanova, que chegou há dez anos, foi uma das pioneiras e hoje atua como parteira, tendo auxiliado mais de 40 famílias russas, ucranianas e bielorrussas a terem seus filhos no Brasil, garantindo-lhes a cidadania brasileira.
O ucraniano Olexiy Shmytkin chegou com sua família em janeiro de 2025, atraído pela existência de uma comunidade de conterrâneos que poderia ajudar a superar a barreira do idioma. Já a família de Olena, também da Ucrânia, escolheu o Brasil pela facilidade em obter o visto humanitário e pela abundância de frutas e vegetais, essenciais para reabrir sua cafeteria vegana em Paraty.
A vinda de russos e ucranianos foi facilitada por uma portaria de março de 2022, que instituiu o visto humanitário. O documento, com validade de 180 dias, permite que os imigrantes solicitem autorização de residência por dois anos ao chegar ao país. Embora Paraty seja um destino notável, o estado do Paraná concentra a maior parte dos descendentes de ucranianos no Brasil, cerca de 81% dos 600 mil existentes, tornando-se também um polo de acolhimento.
Apesar da recepção calorosa, a adaptação impõe desafios. A barreira do idioma é uma das principais dificuldades, como relatou a jovem Olívia Shmytkin, que usava um tradutor no celular em seus primeiros dias de aula. Outro obstáculo é a inserção no mercado de trabalho, já que muitos deixaram carreiras consolidadas em seus países de origem.
O futuro, para muitos, permanece incerto. Enquanto algumas famílias, como a dos russos Arina e Dmitriy Komkov, planejam comprar uma casa e não têm planos de voltar, outras, como a de Olexiy Shmytkin, mantêm o desejo de retornar à Ucrânia "quando a guerra acabar". A distância da família e do país natal também pesa: um grupo de 27 refugiados acolhidos em Prudentópolis (PR) optou por voltar para a Europa para ficar mais perto de seus parentes.
Os principais motivos são a busca por um lugar seguro e pacífico longe da guerra, a política de visto humanitário oferecida pelo governo brasileiro, o clima tropical e, em alguns casos, a presença de comunidades de conterrâneos que facilitam a adaptação inicial.
Os maiores desafios incluem a barreira do idioma, a dificuldade para encontrar emprego e se reinserir no mercado de trabalho, a distância de familiares que permaneceram na zona de conflito e o processo de adaptação a uma nova cultura.
Não. Enquanto algumas famílias planejam reconstruir a vida permanentemente no Brasil, outras expressam o forte desejo de retornar à Ucrânia assim que o conflito terminar. Há também casos de refugiados que decidem voltar para países europeus para estarem geograficamente mais próximos de casa.
Paraty se destaca como um microcosmo da migração de russos e ucranianos para o Brasil, um movimento impulsionado pela busca por paz. A cidade oferece um recomeço, mas a jornada dos recém-chegados é marcada por desafios de adaptação e pela incerteza sobre o futuro, com corações e mentes ainda conectados aos países que foram forçados a deixar para trás.
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