O piloto brasileiro superou barreiras diplomáticas e desafios aéreos para pousar seu avião RV-10 em Vladivostok, na Rússia. Saiba como ele conseguiu.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O piloto brasileiro Alexandre Frota conseguiu pousar seu avião monomotor RV-10 na Rússia no início desta semana, superando dias de incertezas e uma complexa saga diplomática e operacional que ameaçava a continuidade de sua volta ao mundo. Atualizado em 8 de julho de 2026, o pouso em Vladivostok representa uma vitória crucial na expedição "Frotas pelo Mundo".
Após decolar da Austrália em 23 de junho, Frota enfrentou seu maior obstáculo até então: a falta de autorização para sobrevoo ou pouso em países como China, Japão e Coreia do Sul, rota essencial para chegar à Rússia e, posteriormente, ao Alasca. Segundo relatos do piloto, a situação gerou grande preocupação, levando-o a considerar alternativas extremas, como um arriscado voo de mais de 14 horas direto das Filipinas ou até mesmo desmontar a aeronave para transporte marítimo.
Com o apoio de autoridades civis e militares brasileiras na região, Frota finalmente obteve permissão para uma escala técnica na Coreia do Sul, o que viabilizou a continuidade da viagem, conforme detalhado em suas redes sociais.
A aprovação diplomática foi apenas o início de uma nova série de desafios. Os voos que se seguiram testaram os limites do piloto e da aeronave RV-10 de matrícula PT-ZRQ.
Durante o voo de quase oito horas entre as Filipinas e a Coreia do Sul, Frota relatou dificuldades com o controle de tráfego aéreo japonês e presenciou tensões militares entre Japão e China na frequência de comunicação, próximo às ilhas Senkaku.
O trecho final para Vladivostok foi ainda mais complexo. O piloto teve que cumprir um grande desvio de rota solicitado pelo Japão, o que aumentou o tempo de voo. Além disso, foi instruído a manter uma altitude de 15 mil pés, elevando o risco de hipóxia (falta de oxigênio), mesmo com o uso de equipamento suplementar. O atraso fez com que o aeroporto de destino estivesse prestes a fechar, mas controladores russos mantiveram a operação aberta para permitir seu pouso.
Apesar de uma recepção amigável da equipe de solo, a saga continuou no setor de imigração. Alexandre Frota passou por mais de quatro horas de interrogatório e verificação de documentos até ter sua entrada no país oficialmente autorizada.
Com os desafios superados, Frota se prepara para a próxima etapa da jornada. Ele partirá de Vladivostok para outra parada na Rússia, antes de iniciar a travessia do Pacífico em direção ao Alasca, nos Estados Unidos, dando continuidade à sua histórica volta ao mundo.
Alexandre Frota, também conhecido como Alex Bacana, é um administrador de empresas cearense de 52 anos. Ele iniciou o projeto "Frotas pelo Mundo" em 15 de março de 2026, com o objetivo de ser o primeiro brasileiro a completar uma volta ao mundo sozinho em um avião monomotor experimental.
Ele pilota um Van's Aircraft RV-10 de matrícula PT-ZRQ. Trata-se de uma aeronave da categoria experimental, montada a partir de um kit, que foi adaptada com tanques extras e equipamentos de sobrevivência para travessias oceânicas.
Os principais desafios incluíram a negação inicial de autorizações de sobrevoo por países do Extremo Oriente, um desvio de rota que aumentou o tempo de voo, a necessidade de voar a 15 mil pés com risco de hipóxia e um processo de imigração de mais de quatro horas na chegada a Vladivostok.
O pouso de Alexandre Frota na Rússia é um marco de resiliência em sua expedição. A superação dos obstáculos diplomáticos e operacionais demonstra o rigoroso planejamento por trás do projeto "Frotas pelo Mundo" e mantém vivo o sonho de completar a circunavegação do globo, inspirando milhares de seguidores.
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