Descubra o significado da célebre citação do filósofo David Hume sobre a beleza ser subjetiva. Veja como o pensador do Iluminismo definia o gosto e a estética.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A frase "A beleza não é uma qualidade das próprias coisas: ela existe apenas na mente que as contempla" é uma das mais célebres do filósofo escocês David Hume. Atualizado em 22 de junho de 2026, este pensamento resume sua teoria estética: a beleza não é uma propriedade inerente a um objeto, mas sim um sentimento subjetivo que surge na mente do observador. Para Hume, a percepção da beleza é uma experiência individual.
David Hume (1711-1776) foi um filósofo, historiador, ensaísta e diplomata escocês, considerado um dos mais importantes representantes do Iluminismo. Conhecido por seu empirismo radical, Hume defendia que todo o conhecimento humano deriva da experiência sensível. Suas ideias, que questionavam crenças sobre a alma e a religião, levaram suas obras a serem incluídas no "Índice dos Livros Proibidos" pela Igreja Católica, conforme sua biografia.
A citação de Hume sobre a beleza é a base de sua teoria do gosto. Ele argumentava que, ao julgar algo como "belo", não estamos descrevendo uma qualidade objetiva da coisa em si, mas sim expressando um sentimento de prazer que ela nos causa. Segundo o filósofo, "ter o sentido da virtude não é senão sentir uma satisfação de um género particular na contemplação de um carácter", aplicando o mesmo raciocínio à beleza.
Para Hume, um juízo estético é diferente de um juízo factual. Enquanto um juízo factual pode ser verdadeiro ou falso com base em um "padrão real na natureza das coisas", o juízo sobre o belo não possui esse padrão exterior. A mente, ao contemplar um objeto, "acrescenta" um sentimento de deleite ou desconforto. Portanto, a beleza "existe apenas na mente que as contempla; e cada mente percepciona uma beleza diferente". As questões de gosto, assim, vêm da experiência que temos com as coisas, e não das próprias coisas.
A principal teoria de David Hume é o empirismo, que afirma que todo conhecimento é derivado da experiência. Ele dividia as percepções em duas categorias: "impressões", que são os dados diretos dos sentidos (visão, tato, etc.), e "ideias", que são as representações mentais resultantes dessas impressões.
Embora Hume afirme que a beleza é subjetiva e reside na mente do observador, ele reconhece um paradoxo. Ele nota que o senso comum se opõe à ideia de que a qualidade de um poeta como Milton seja igual à de Ogilby. Para Hume, embora o sentimento seja a base, a razão e a reflexão podem "corrigir um falso sabor", sugerindo que um consenso sobre o gosto pode ser alcançado através da argumentação.
A frase de David Hume desloca o conceito de beleza do objeto para o sujeito. Ela nos ensina que a apreciação estética é uma experiência profundamente pessoal, moldada por nossos sentimentos e percepções. Ao afirmar que a beleza está nos olhos de quem vê, Hume consolidou uma visão subjetivista que continua a influenciar a filosofia e a arte até hoje.
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