Estudo da Embrapa revela que separar tilápias-do-Nilo em baias individuais diminui a agressividade e melhora as condições dos peixes. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 28 de setembro de 2026. Um estudo da Embrapa, em parceria com o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), demonstrou que o uso de divisórias em aquários aumenta o bem-estar de tilápias-do-Nilo. A pesquisa aponta que a separação física em baias individuais reduz a agressividade e situações de estresse entre os peixes, que naturalmente formam hierarquias sociais em cativeiro.
A pesquisa comparou o comportamento e os indicadores de estresse de tilápias mantidas em aquários com e sem divisórias individuais. O experimento, que durou 17 dias, foi realizado em seis aquários de 300 litros com sistema de recirculação de água, segundo informações da Embrapa. Três tanques receberam as barreiras físicas e três permaneceram sem elas, com três peixes em cada um.
Durante o período, os pesquisadores monitoraram diariamente o comportamento dos animais, a qualidade da água e possíveis sinais de enfermidades. Ao final, foram coletadas amostras de sangue para analisar indicadores de saúde e estresse, como glicemia e hematócrito.
Embora os parâmetros sanguíneos não tenham apresentado diferenças significativas entre os grupos, as observações comportamentais foram conclusivas. Nos aquários sem divisórias, foram identificados peixes dominantes que perseguiam e atacavam os demais. Já nos tanques com baias, a barreira física impediu o contato direto e as agressões, mesmo que alguns peixes ainda demonstrassem comportamento agressivo.
Segundo Vítor Biguetti, bolsista da UniFAJ envolvido no estudo, os resultados mostram que uma estrutura simples pode reduzir interações agressivas e melhorar as condições de bem-estar durante experimentos. A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Márcia Ishikawa, reforçou a importância de considerar também o comportamento dos peixes, e não apenas os parâmetros fisiológicos, na avaliação.
A preocupação com o bem-estar dos peixes vai além da ética, impactando diretamente a produção. A tilápia já representa 70% dos peixes produzidos no Brasil, de acordo com a organização Alianima. Estudos indicam que condições que reduzem o estresse estão associadas a indicadores produtivos favoráveis.
Por exemplo, permitir que os animais descansem após o transporte e antes do abate, utilizando métodos menos estressantes, pode contribuir para preservar a textura do pescado e aumentar a retenção de água no filé, evitando uma carne mais dura.
De acordo com Caroline Maia, especialista da Alianima, alguns sinais de alerta incluem a presença de sangue na água, perda de escamas, sobras de ração após a alimentação (o esperado é um consumo em três a cinco minutos) e mudanças no comportamento, como peixes parados na superfície ou alterações na forma de nadar.
As divisórias funcionam como uma barreira física que impede o contato direto entre as tilápias. Em espécies que formam hierarquias, como a tilápia-do-Nilo, isso evita que indivíduos dominantes ataquem fisicamente os demais, reduzindo o estresse causado pela agressão e pela competição por espaço e alimento.
A pesquisa da Embrapa e UniFAJ evidencia que intervenções estruturais simples, como a instalação de divisórias, são eficazes para mitigar a agressividade e promover o bem-estar de tilápias em cativeiro. Esses achados reforçam a necessidade de um manejo que considere tanto os indicadores fisiológicos quanto os comportamentais para garantir uma produção mais sustentável e de maior qualidade.
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