Em Jaçanã, Diogo Castro transformou 2 mil pés de café abandonados em uma produção de grãos especiais, resgatando a tradição familiar no semiárido potiguar. Conheça a história.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Durante a pandemia de Covid-19, o produtor Diogo Castro retornou à fazenda da família em Jaçanã, no sertão do Rio Grande do Norte, e deu início a um projeto que une afeto e resistência. Ele encontrou cerca de 2 mil pés de café que sobreviveram ao tempo, remanescentes de um cafezal plantado por seu avô, e decidiu não apenas recuperar, mas expandir o legado. Atualizado em 31 de maio de 2026.
A história do café na família Castro começou com Firmino Gomes de Castro, avô de Diogo, que plantava e torrava grãos nos anos 1950 e adquiriu a propriedade no Sítio Rio Grande, em Jaçanã, em 1978. Com o falecimento do avô, a atividade foi deixada de lado, conforme relatado por Diogo ao portal Saiba Mais. Em 2020, impulsionado pelo isolamento social, ele decidiu retomar o cultivo.
“Com a pandemia e aquele período de exclusão social, eu resolvi novamente trabalhar com café. Foi quando a gente voltou a ter os olhares para o café”, contou Diogo. O ponto de partida foram os 2 mil pés que resistiram por décadas.
O que começou como uma recuperação logo se tornou um projeto de expansão. No ano seguinte ao recomeço, a família plantou 9 mil novas mudas e, posteriormente, mais 4 mil, chegando a um total de 19 mil plantas no solo, segundo o portal Saiba Mais. A meta é plantar 6 mil pés de café anualmente.
Produzir café no semiárido potiguar apresenta desafios significativos, principalmente a escassez de água. “O clima exige muito, a água é escassa e o solo demanda um manejo extremamente técnico. Mas é justamente essa combinação de desafios que torna o projeto tão especial. O café que nasce aqui carrega a identidade e a força do nosso sertão”, destacou Castro em entrevista à Agência Sebrae.
Para se destacar, o foco da produção é na qualidade e na rastreabilidade, visando o mercado de cafés especiais. Com a marca "Café Jaçanã", a propriedade cultiva cinco variedades de café arábica: Catuaí amarelo e vermelho (do tempo do avô), Catuaí 144, Arara e Graúna. A colheita é seletiva, apanhando apenas os grãos maduros, o que eleva a qualidade do produto final para as categorias especial, gourmet e superior.
O projeto conta com o apoio técnico do Sebrae/RN, através do "Projeto Cafés do RN", e do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). A iniciativa do Sebrae busca estruturar uma nova cadeia produtiva no estado, que já conta com quase 27 hectares de café em expansão.
Sim. A experiência de Diogo Castro em Jaçanã, com apoio técnico do Sebrae e da Emater, demonstra que é viável cultivar cafés especiais, como o arábica, no semiárido potiguar, utilizando manejo técnico adequado e colheita seletiva.
O Café Jaçanã se diferencia por ser um café especial produzido no semiárido, resgatando uma tradição familiar. A marca foca na rastreabilidade, na colheita seletiva de grãos maduros e na valorização da identidade regional, oferecendo variedades como Catuaí, Arara e Graúna.
Diogo Castro é o produtor rural que, durante a pandemia, retomou a cafeicultura na propriedade de sua família em Jaçanã (RN). Ele revitalizou um cafezal antigo de seu avô e expandiu a produção, criando a marca de cafés especiais Café Jaçanã.
A história do Café Jaçanã é um exemplo da revitalização da cafeicultura no Rio Grande do Norte. Unindo tradição familiar, inovação técnica e resiliência diante dos desafios do semiárido, Diogo Castro não apenas recuperou um legado, mas também ajudou a consolidar uma nova e promissora fronteira agrícola para o estado, focada em produtos de alto valor agregado.
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