Em meio à crise da Nissan e apelos de acionistas, o ex-executivo Carlos Ghosn afirma que só retornaria à montadora para assumir o cargo de CEO. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, afirmou que só consideraria um retorno à montadora japonesa se fosse para ocupar o cargo de CEO. A declaração, atualizada em 30 de junho de 2026, surge após uma tensa assembleia anual de acionistas onde investidores frustrados com os resultados da empresa chegaram a pedir publicamente a volta do executivo foragido.
Durante a recente reunião anual da Nissan, o CEO Ivan Espinosa enfrentou a indignação de acionistas com o desempenho da companhia. Segundo a Forbes, pelo menos um investidor pediu em voz alta o retorno de Carlos Ghosn, refletindo um desespero crescente com o declínio contínuo da montadora. Embora a proposta tenha sido rejeitada, o episódio evidencia a profunda insatisfação com a gestão atual.
Os números justificam a frustração: sob a liderança de Ghosn, a Nissan vendia cerca de 5,5 milhões de veículos por ano; hoje, as vendas globais caíram para aproximadamente 3,15 milhões, de acordo com dados reportados pela Forbes.
Vivendo no Líbano desde sua fuga do Japão em 2019, Ghosn aproveitou o momento para se posicionar. Em entrevista, ele foi categórico sobre as condições para voltar. "O único cargo para salvar a empresa é o de CEO", disse ele, conforme publicado pelo Portal Mie. "Tem que ser alguém que seja realmente o tomador de decisão. Há uma emergência na Nissan e decisões difíceis precisam ser tomadas."
Ghosn argumentou que sua experiência o qualifica para a tarefa. "Se existe uma pessoa ou um perfil hoje que pode fazer isso acontecer, é o meu. [...] Eu já fiz isso uma vez. Conheço a empresa de todos os ângulos", completou.
O ex-executivo não poupou críticas à direção que a Nissan tomou desde sua saída. Em entrevista ao Motor1.com, ele descreveu a situação da empresa como "desesperadora" e a aliança com a Renault como "pequena e frágil". Ghosn também se opôs a uma possível fusão com a Honda, afirmando que "não faz nenhum sentido" por não haver complementaridade entre as duas empresas, segundo a Exame.
Carlos Ghosn foi preso em Tóquio em novembro de 2018 sob acusações de má conduta financeira, incluindo a subnotificação de sua remuneração em cerca de US$ 80 milhões. Ele nega as acusações, alegando ser vítima de uma conspiração e perseguição política, conforme relatado pelo jornal O Globo.
No final de 2019, enquanto aguardava julgamento em prisão domiciliar, Ghosn protagonizou uma fuga espetacular para o Líbano, um dos países onde possui cidadania e que não tem acordo de extradição com o Japão. A operação envolveu um jato particular, e teorias iniciais sugeriam que ele se escondeu em uma caixa de equipamento de áudio, algo que ele posteriormente negou, de acordo com o Motor1.com.
A Nissan enfrenta um período de crise, com queda acentuada nas vendas globais, múltiplos planos de reestruturação e dificuldade para competir com montadoras chinesas no mercado de veículos elétricos. A gestão atual, liderada pelo CEO Ivan Espinosa, está sob forte pressão de investidores para reverter o cenário, como destacado pela Forbes.
A declaração de Carlos Ghosn, condicionando seu retorno ao cargo de CEO, adiciona mais um capítulo à sua conturbada relação com a Nissan. Enquanto a empresa luta para encontrar um caminho de volta à lucratividade, o apelo de acionistas pelo retorno de seu antigo líder, mesmo foragido, sinaliza a gravidade da crise e a falta de confiança no presente da montadora.
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