Após 7 anos de aluguel, um inquilino teve a pintura descontada da caução. Saiba o que a Lei do Inquilinato diz sobre desgaste natural e quando a cobrança é indevida.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Depois de morar por sete anos no mesmo imóvel, um inquilino entrega as chaves e tem o valor de uma pintura completa descontado da caução. Essa situação, embora ilustrativa, levanta uma dúvida comum: o proprietário pode fazer esse desconto? A resposta, segundo a Lei do Inquilinato, é que depende. É preciso diferenciar o que é dano real e o que é desgaste natural pelo tempo de uso. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A principal regra está no artigo 23 da Lei nº 8.245/91, que determina que o locatário deve devolver o imóvel no estado em que o recebeu, mas ressalva as "deteriorações decorrentes do seu uso normal". Isso significa que o envelhecimento natural da pintura após vários anos não é, por si só, responsabilidade do inquilino.
A chave para resolver o impasse sobre o desconto da pintura está na distinção entre dano e desgaste. A legislação protege o proprietário contra prejuízos causados pelo mau uso, mas não transforma o inquilino em responsável pela manutenção que ocorreria naturalmente com o tempo.
A caução é uma garantia locatícia prevista na Lei do Inquilinato para cobrir possíveis débitos do inquilino, como aluguéis atrasados ou danos comprovados. Suas regras são claras e visam proteger ambas as partes.
De acordo com o artigo 38 da Lei do Inquilinato, a caução em dinheiro não pode ultrapassar o valor de três meses de aluguel. Esse montante deve ser depositado em uma caderneta de poupança e, ao final do contrato, devolvido ao inquilino com a correção dos rendimentos, caso não haja pendências justificáveis.
Para evitar conflitos, as vistorias de entrada e saída são ferramentas decisivas. Conforme especialistas, um laudo detalhado, com fotos e descrições do estado do imóvel no início do contrato, é a melhor prova para comparar com a situação na entrega das chaves.
Sem essa documentação, fica difícil determinar se um problema já existia ou se foi causado durante a locação. A comparação entre os dois laudos é o que separa o desgaste natural de um dano que justifica o uso da caução, como orienta a Serasa.
Sim, o contrato pode conter uma cláusula que exige a devolução do imóvel com pintura nova. No entanto, mesmo com essa cláusula, a sua aplicação pode ser questionada judicialmente se o desgaste for apenas natural após um longo período de locação, como sete anos. A análise dependerá do caso concreto e do que foi registrado nas vistorias.
O inquilino deve solicitar formalmente a justificativa do desconto, pedindo a comparação entre as vistorias de entrada e saída e os orçamentos do serviço. Se não houver acordo, é possível buscar orientação no Procon ou em órgãos de defesa do consumidor, ou até mesmo ingressar com uma ação judicial para reaver o valor.
A Lei do Inquilinato não especifica um prazo exato em dias, mas a devolução deve ocorrer logo após a desocupação e a quitação de todas as obrigações. O mercado costuma trabalhar com um prazo de até 30 dias após a entrega das chaves, segundo informações da Serasa.
O desconto da pintura na caução só é legal se o proprietário comprovar que existem danos que vão além do desgaste natural pelo uso prolongado. Para locações longas, como a de sete anos, é esperado que a pintura envelheça. A melhor proteção para inquilinos e proprietários é a documentação rigorosa, especialmente por meio de laudos de vistoria detalhados no início e no fim do contrato.
Um Omoda 5 teve o eixo traseiro desprendido na Malásia, levando à suspensão de vendas. Na China, Chery convoca 53.882 Tiggo 5x e Omoda por falha de solda. Saiba se o modelo brasileiro é afetado.
Um investidor teve prejuízo de R$ 25 mil em um único pregão ao tentar recuperar perdas. Entenda como o descontrole emocional levou ao 'dia de fúria' no day trade.
Conheça o TGV Inoui, o novo trem de alta velocidade francês com capacidade para 740 passageiros, restaurante a bordo e design inovador. Saiba quando começa.
A representante do Brasil no Miss Universo 2026, Marcella Kozinski, foi recebida por fãs com escola de samba no aeroporto antes de ir para Porto Rico. A final acontece em 24 de novembro.