Após deixar SP para ajudar o pai de 88 anos, Inara Souza trocou gado por frutas orgânicas na fazenda da família. Veja como o projeto virou referência no semiárido.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Uma história de resgate familiar e inovação no campo transformou a Fazenda Nova Boa Vista, em Monte Horebe, no alto sertão da Paraíba. A empreendedora Inara Souza deixou São Paulo em 2021 para ajudar seu pai, José Dias de Souza, então com 88 anos, e converteu a propriedade, antes dedicada à mandioca e gado, em um polo de frutas orgânicas. Na última safra, o resultado foi uma colheita de 24 toneladas de melão e melancia, provando o potencial da agricultura sustentável no semiárido.
A jornada de Inara Souza começou com um chamado. Seu pai, José Dias de Souza, que havia migrado para São Paulo em 1950 e retornado à Paraíba em 2011 para recuperar a fazenda abandonada da família, precisava de ajuda devido à idade avançada. Em 2020, ele ligou para a filha, que sempre viveu em São Paulo. No ano seguinte, ela tomou a decisão de se mudar para o sertão e assumir a gestão da propriedade, que pertence à família desde a década de 1930, conforme relatado pela Agência Sebrae de Notícias.
Ao chegar, Inara pesquisou soluções inovadoras e sustentáveis para a terra. A fruticultura orgânica surgiu como a melhor alternativa para revitalizar a fazenda, que tradicionalmente cultivava mandioca e criava bovinos.
O principal desafio era a produção em um ambiente semiárido, com altas temperaturas e poucas chuvas. A solução foi a implementação de um sistema de irrigação eficiente em uma área inicial de dois hectares, que hoje já abrange quase o dobro. O cultivo começou pela melancia, e um fator crucial facilitou o processo: o solo da fazenda nunca havia sido tratado com agrotóxicos. Isso simplificou a obtenção da certificação IBD, que atesta o produto como orgânico para comercialização.
O projeto contou com o acompanhamento do Sebrae/PB desde o início. Segundo o analista técnico Fabrício Vitorino, a iniciativa exigiu estudos técnicos e um planejamento estruturado para que o cultivo seguisse as normas da legislação nacional. O apoio foi fundamental para definir a viabilidade, o escoamento da produção e a estratégia de certificação orgânica para atrair investidores.
A primeira colheita ocorreu em 2022. Na safra seguinte, em 2023, a Fazenda Nova Boa Vista colheu 18 toneladas de melão amarelo e seis toneladas de melancia. A produção foi distribuída para mercados na Paraíba e em outros estados, como São Paulo e Paraná. O sucesso do negócio rendeu a Inara Souza o primeiro lugar na categoria "Produtora Rural" do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, edição de 2025.
“Não é sobre apenas uma preservação do solo, mas uma preservação da memória e um legado familiar. O que mais aprendi com esse projeto é que a gente pode inovar dentro do tradicional”, afirmou a empreendedora.
A mudança foi motivada pela necessidade de ajudar o pai de Inara na gestão da fazenda e pela busca de uma solução agrícola que fosse sustentável e inovadora para as condições do semiárido paraibano.
A safra de 2023 resultou em 24 toneladas de frutas, sendo 18 toneladas de melão amarelo e 6 toneladas de melancia, que foram comercializadas em três estados brasileiros.
Sim, o projeto foi acompanhado pelo Sebrae/PB, que ofereceu consultorias e orientações em planejamento, técnicas de cultivo e acesso a mercados, sendo fundamental para o sucesso da iniciativa.
A história da Fazenda Nova Boa Vista demonstra como a união de tradição, planejamento e tecnologia pode transformar terras consideradas improdutivas em negócios prósperos e sustentáveis. A iniciativa de Inara Souza não apenas revitalizou o legado de sua família, mas também se tornou uma referência de coragem e inovação para o agronegócio no semiárido nordestino.
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