A frota de 12 helicópteros de ataque Mi-35M, conhecidos como AH-2 Sabre, foi desativada pela Força Aérea Brasileira. Entenda os motivos por trás da decisão.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Força Aérea Brasileira (FAB) desativou sua frota de 12 helicópteros de ataque russos Mi-35M, designados AH-2 Sabre, em 2022, após quase 12 anos de serviço. A aposentadoria precoce foi motivada por uma série de problemas crônicos de logística, manutenção e altos custos operacionais, e não por questões geopolíticas. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Incorporados oficialmente em 17 de abril de 2010, os helicópteros AH-2 Sabre foram um marco para a FAB, representando o único equipamento de origem russa em sua história. A aquisição, realizada em outubro de 2008, teve um custo de US$ 369 milhões. As aeronaves foram operadas pelo 2º/8º GAV – Esquadrão Poti, sediado na Base Aérea de Porto Velho (RO), com a missão de defender a fronteira amazônica.
A entrega dos 12 helicópteros ocorreu de forma gradual, em quatro lotes, entre dezembro de 2009 e dezembro de 2014. Ao longo de sua carreira, a frota acumulou menos de 10.000 horas de voo, segundo informações da própria Força Aérea.
Desde o início da operação, os AH-2 Sabre enfrentaram dificuldades que abreviaram sua vida útil no Brasil. A decisão de desativá-los, que começou em 1º de março de 2022, foi resultado de um conjunto de fatores persistentes.
A principal razão para a retirada de serviço foi a complexidade da cadeia de suprimentos. Relatos indicam que os helicópteros eram de difícil manutenção, com disponibilidade limitada devido à falta de peças de reposição. Além disso, a FAB enfrentou altas despesas operacionais, uma logística complicada e a falta de suporte adequado do fabricante, o que em vários momentos deixou as aeronaves no solo.
Em 2020, um contrato foi assinado entre a estatal Russian Helicopters e a empresa brasileira Indústria de Aviação e Serviços (IAS) para realizar reparos na frota. O acordo previa o fornecimento de kits e componentes pela empresa russa. No entanto, a decisão da FAB de aposentar as aeronaves tornou esses planos inviáveis.
O contrato para a aquisição dos 12 helicópteros, assinado em 2008, foi de US$ 369 milhões, conforme divulgado por fontes especializadas em aviação militar. Outras publicações mencionam um valor de US$ 386 milhões.
Não. A decisão da FAB de desativar a frota foi anunciada no início de fevereiro de 2022 e, segundo fontes da imprensa, não possui nenhuma relação com o conflito militar na Ucrânia, sendo baseada em problemas logísticos e de manutenção preexistentes.
O destino das 12 células dos helicópteros AH-2 Sabre ainda é incerto. No entanto, as aeronaves possuem valor de mercado e podem ser revendidas a países com mais tradição na operação de equipamentos de origem russa. Na América do Sul, Venezuela e Peru são operadores de modelos da família Mi-24/35.
A desativação dos helicópteros de ataque AH-2 Sabre encerrou um capítulo único na história da Força Aérea Brasileira. A experiência demonstrou os desafios de integrar e manter equipamentos militares de uma cadeia logística distinta daquela com a qual o país está habituado, resultando na aposentadoria de uma frota estratégica muito antes do esperado.
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