Belmiro Gomes, CEO do Assaí, explica como a alta da Selic impactou a compra do Extra, forçando a rede a pagar R$ 7 milhões em juros por dia. Entenda a nova estratégia da empresa.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Assaí Atacadista desembolsa aproximadamente R$ 7 milhões por dia em despesas financeiras, incluindo fins de semana e feriados. A revelação foi feita pelo CEO da companhia, Belmiro Gomes, em entrevista à EXAME, explicando que o valor é um reflexo direto da alta da taxa Selic sobre a dívida contraída para a aquisição de 66 lojas do Extra em 2021. Atualizado em 24 de junho de 2026.
A aquisição dos pontos do Extra, um negócio de cerca de R$ 7 bilhões, foi estruturada em 2021, quando a taxa básica de juros estava em 2% e as projeções do Boletim Focus apontavam para um cenário ao redor de 7%. No entanto, a realidade macroeconômica se mostrou diferente, elevando drasticamente o custo financeiro da operação. "Quando me perguntam qual série estou assistindo, eu brinco que hoje assisto uma série de terror chamada Selic", afirmou Gomes à EXAME.
O custo diário de R$ 7 milhões com juros totaliza cerca de R$ 2,3 bilhões no acumulado do ano. Apesar do valor expressivo, o CEO destaca a capacidade de geração de caixa da empresa, que conseguiu reduzir a dívida líquida em R$ 1,2 bilhão no último ano, conforme divulgado em entrevista.
O aumento dos custos financeiros obrigou o Assaí a revisar seus planos de expansão. O projeto original de abrir cerca de 15 novas lojas por ano foi substituído por uma meta mais modesta, com a previsão de inaugurar 5 unidades no estado de São Paulo neste ano. "Hoje a prioridade é preservar caixa e reduzir a dívida", disse o executivo.
Contudo, frear a expansão física não significou uma pausa nos investimentos em inovação. A companhia está direcionando esforços para diversificar suas fontes de receita e fortalecer seu ecossistema de negócios.
O Assaí paga cerca de R$ 7 milhões por dia em despesas financeiras, o que equivale a aproximadamente R$ 2,3 bilhões por ano. Esse custo é resultado da dívida assumida para a compra de lojas do Extra em um cenário de alta da taxa Selic.
Não. Belmiro Gomes afirmou que faria a aquisição novamente, pois a considera estratégica para a expansão em grandes centros urbanos. No entanto, ele ressalta que, se soubesse da alta real dos juros, teria negociado os termos de correção da dívida de forma diferente.
A empresa não parou, mas desacelerou o ritmo de expansão. O plano original de 15 lojas por ano foi reduzido para priorizar a redução da dívida. Para este ano, estão previstas 5 novas inaugurações no estado de São Paulo.
A alta dos juros no Brasil impôs um desafio financeiro significativo para o Assaí, alterando os planos de expansão da companhia. Sob a liderança de Belmiro Gomes, a varejista demonstra resiliência ao focar na redução da dívida e, ao mesmo tempo, investir em novas frentes de negócio, como farmácias e serviços financeiros, para garantir o crescimento a longo prazo. "Daqui a dez anos, a dívida terá ficado para trás. Os ativos continuarão lá", concluiu o CEO.
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