Entenda as condutas que configuram má-fé em processos trabalhistas, como alterar fatos e usar testemunhas falsas. Veja as sanções previstas pela CLT e CPC.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A litigância de má-fé é uma conduta abusiva ou fraudulenta de uma das partes em um processo judicial, que viola os deveres de lealdade e boa-fé. Na Justiça do Trabalho, essa prática é tratada com rigor e pode resultar em multas, indenizações e pagamento de honorários. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A legislação, tanto no Código de Processo Civil (CPC) quanto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), busca coibir ações que visam prejudicar a parte contrária, induzir o juiz a erro ou obter vantagens indevidas. Segundo o artigo 5º do CPC, todos devem se comportar de acordo com a boa-fé objetiva durante o processo.
A litigância de má-fé é caracterizada por atos que demonstram deslealdade processual. A Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) incluiu os artigos 793-A a 793-D na CLT, que espelham as previsões do CPC. De acordo com o artigo 80 do CPC, são consideradas condutas de má-fé:
Decisões judiciais recentes ilustram como a teoria é aplicada na prática, punindo tanto trabalhadores quanto empresas que agem de forma desleal.
Em um caso julgado pela Vara do Trabalho de Iturama (MG), um motorista de caminhão alegou cumprir uma jornada exaustiva, mas em audiência confessou usufruir de intervalos maiores do que o informado na petição inicial. A juíza o condenou por alterar a verdade dos fatos, assim como a testemunha que sustentou a versão inicial inverídica. Em outra situação, uma trabalhadora foi condenada após fazer uma série de alegações falsas, como pedir verbas de um período anterior ao seu contrato de trabalho e inventar uma dispensa discriminatória.
A 4ª Turma do TRT-MG manteve a condenação de um trabalhador que ofereceu R$ 5.000,00 a uma testemunha para que ela prestasse depoimento a seu favor. A tentativa de fraude foi confirmada pela própria testemunha e por mensagens apresentadas no processo. A Justiça considerou a atitude um ato contrário à dignidade da Justiça.
Um caso notório envolveu uma empresa e seu advogado, que foram condenados solidariamente por litigância de má-fé após manipularem o ambiente de trabalho para uma diligência judicial. O advogado, único que não teve o celular retido em audiência, teria avisado a empresa sobre a visita da oficial de justiça, resultando na ocultação de provas e na instrução de funcionários para mentir.
As sanções para quem litiga de má-fé são severas e estão previstas no artigo 81 do CPC. O juiz pode, de ofício ou a pedido da parte prejudicada, aplicar as seguintes penalidades:
É importante notar que mesmo o benefício da justiça gratuita não isenta o trabalhador do pagamento da multa por litigância de má-fé, cujo valor pode ser deduzido de eventuais créditos que ele tenha a receber no processo.
É a conduta abusiva, desleal ou fraudulenta de uma das partes em um processo, com o objetivo de prejudicar o adversário, enganar o juiz ou obter vantagem indevida, conforme as hipóteses listadas no artigo 80 do CPC.
Não. A condenação pode ser aplicada a qualquer parte do processo, incluindo empresas, reclamantes, testemunhas e até mesmo os advogados, que podem ser responsabilizados solidariamente, como em casos de manipulação de provas.
A multa varia de 1% a 10% sobre o valor da causa, além de indenização por perdas e danos e o pagamento de honorários e despesas da parte contrária. Se o valor da causa for irrisório, a multa pode chegar a 10 salários mínimos.
A Justiça do Trabalho tem reforçado a necessidade de lealdade e boa-fé processual. A condenação por litigância de má-fé serve como uma medida pedagógica para reprimir atos que atentam contra a dignidade da Justiça, garantindo que o processo seja um instrumento para a busca do direito, e não um campo para manobras ilícitas.
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