Produtor de Caraá (RS) obtém o primeiro selo de inspeção federal (SIF) para mel de meliponas, permitindo venda nacional e exportação. Entenda o impacto.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 10 de outubro de 2026. O Rio Grande do Sul alcançou um marco histórico para a meliponicultura em junho de 2026, com o primeiro envase de mel de abelhas sem ferrão (meliponas) registrado no Serviço de Inspeção Federal (SIF). A conquista, liderada por um produtor em Caraá, no Litoral Norte, abre caminho para a comercialização do produto em todo o Brasil e para a exportação, impactando mais de 16 mil famílias gaúchas envolvidas na atividade, segundo dados da Seapi de 2024.
O primeiro lote com o selo federal foi produzido por Vinícius Monteiro Gomes, proprietário da Bella Mata Apiário e Meliponário, em 17 de junho de 2026. Em sua propriedade, com mais de 60 hectares de mata nativa, Gomes cria 15 espécies de abelhas nativas e estima uma produção anual superior a 250 quilos de mel. O beneficiamento do produto é realizado na estrutura da Associação de Apicultores e Meliponicultores de Caraá (Apimel Caraá), um esforço conjunto que envolveu 30 associados e o apoio de instituições como a Emater/RS-Ascar.
A obtenção do SIF é um divisor de águas para o setor. O selo permite que o mel de meliponas seja vendido formalmente em todo o território nacional, saindo da informalidade e do consumo local. "Agora o pessoal pode produzir mel e vai ter a oportunidade de colocar na prateleira do supermercado, não só no seu município, mas fora dele", explica o produtor Vinícius Gomes. Além do mercado interno, o registro federal é o primeiro passo para a exportação, embora cada país comprador tenha suas próprias exigências sanitárias. A certificação garante ao consumidor um produto seguro, com rastreabilidade e que segue rigorosos padrões de qualidade.
O mel de abelhas sem ferrão possui características únicas, como maior umidade — que pode ultrapassar 30% — e um sabor mais ácido e complexo, que varia conforme a espécie da abelha, e não apenas pela florada. Essa alta umidade representa um desafio para a conservação e para o enquadramento na legislação, originalmente pensada para o mel de abelhas com ferrão (Apis mellifera), que tem umidade em torno de 20%. Para garantir a segurança e a estabilidade do produto, o produtor de Caraá optou pela pasteurização, um dos três métodos permitidos pela legislação, junto com a maturação e a refrigeração do mel in natura.
Seu sabor é descrito como mais ácido e "azedinho", com uma consistência mais fluida em comparação ao mel tradicional. Essas características, que variam intensamente entre as espécies de abelhas nativas, são muito apreciadas no mercado gastronômico, tornando-o um produto de alto valor agregado.
Além da produção de mel, a criação de abelhas nativas sem ferrão é fundamental para a conservação da biodiversidade. Elas estão entre as principais polinizadoras de plantas nativas e de culturas agrícolas, como as frutícolas, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas e para a produção de alimentos.
Um levantamento realizado pela Secretaria da Agricultura (Seapi) em 2024 identificou 16.209 famílias envolvidas com a criação de abelhas sem ferrão no Rio Grande do Sul. O estudo apontou que, até então, grande parte da produção era para autoconsumo, com quase 40% dos produtores não obtendo renda com a atividade, um cenário que o selo SIF pode ajudar a mudar.
A conquista do primeiro selo SIF para o mel de abelhas sem ferrão no Rio Grande do Sul representa mais do que uma formalização. É a valorização de um produto único da biodiversidade brasileira, o fortalecimento da agricultura familiar e a abertura de novas fronteiras comerciais para milhares de meliponicultores gaúchos, unindo geração de renda com conservação ambiental.
Assumiu os fios grisalhos? Especialistas indicam como brincos em azul-safira, verde-esmeralda e dourado criam um contraste elegante que ilumina o rosto. Veja as dicas.
Nova atração do parque em Vinhedo (SP) teve investimento de R$ 18 milhões e conta com percurso de 256 metros, subidas com jatos d'água e um balanço de 90 graus. Saiba tudo.
Agricultor goiano investiu cerca de R$ 45 mil por hectare em pitaya e hoje colhe os frutos de um mercado em alta. Saiba como ele transformou o cultivo em um negócio lucrativo e conheça outras frutas promissoras.
A Vivo iniciou a pré-venda do Motorola Signature 27 com descontos de até R$ 4.800. Saiba o preço do aparelho com 256 GB e 512 GB nos planos Família e veja os detalhes da oferta.