Caças Mirage 2000, adquiridos como solução temporária pela FAB, foram leiloados sem condição de voo. Entenda a trajetória dos jatos, da compra à venda.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Força Aérea Brasileira (FAB) vendeu nove células de caças Mirage 2000, desativadas e sem condições de voo, por US$ 452 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) em um leilão internacional. A transação ocorre cerca de 14 anos após o Brasil ter adquirido um lote de 12 dessas aeronaves usadas da França por 80 milhões de euros, conforme noticiado pela Quatro Rodas. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Em 2005, o governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, assinou um acordo para a compra de 12 caças Mirage 2000, versões C e B, usados da Força Aérea Francesa. A aquisição foi uma solução intermediária para substituir os antigos Mirage IIIEBR, que estavam sendo aposentados, enquanto o projeto de modernização da frota, conhecido como F-X, era adiado, segundo a Folha de S.Paulo. O valor base do acordo foi de 60 milhões de euros, sem incluir peças, treinamento e armamento.
Designados como F-2000 na FAB, os jatos operaram na base aérea de Anápolis (GO) e foram considerados os caças mais potentes que a força já teve, capazes de ultrapassar Mach 2.0 (mais de 2.400 km/h), de acordo com a Quatro Rodas. A cerimônia oficial de desativação ocorreu em 20 de dezembro de 2013, motivada pelos altos custos operacionais e pelo fim da vida útil das aeronaves, que já haviam ultrapassado o limite de 10.000 horas de voo, como detalhado pelo site Airway.
Após a aposentadoria, a FAB tentou leiloar os caças, inicialmente pedindo US$ 2,5 milhões por unidade, mas não houve interessados. O preço foi reduzido, e em 2019, a empresa francesa Procor arrematou nove das células disponíveis por US$ 452 mil. Acredita-se que a Procor irá revisar as aeronaves para utilizá-las como "agressores" em treinamentos de combate aéreo, uma prática de terceirização crescente entre forças armadas globais, conforme apurado pelo Poder Aéreo.
O Brasil adquiriu um lote de 12 caças Mirage 2000 usados em 2006 por 80 milhões de euros, segundo a revista Quatro Rodas. Outras fontes, como a Folha de S.Paulo, mencionam um valor base de 60 milhões de euros em 2005, sem contar custos adicionais.
Os caças foram vendidos como células sem condição de voo, pois já haviam excedido seu limite de horas de serviço. O valor final de US$ 452 mil foi alcançado após tentativas de leilão com preços mais altos que não atraíram compradores, de acordo com o site Airway.
As nove células de Mirage 2000 foram compradas pela empresa francesa Procor. A expectativa é que os aviões sejam recondicionados para atuar em treinamentos de combate aéreo, servindo como aeronaves "inimigas" para pilotos em formação.
A trajetória dos caças Mirage 2000 na FAB ilustra o ciclo de vida de equipamentos militares. Adquiridos como uma solução provisória, cumpriram seu papel na defesa aérea do país e, ao final de sua vida útil, foram vendidos como sucata, refletindo seu estado inoperante e a dinâmica do mercado de defesa.
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