Cientistas criam 'anthrobots', robôs biológicos feitos de células humanas que se movem e reparam tecidos neurais danificados. Entenda a tecnologia.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Cientistas da Universidade Tufts e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram robôs biológicos microscópicos, chamados "anthrobots", a partir de células humanas. Conforme detalhado em um estudo publicado na revista Advanced Science, essas estruturas são capazes de se mover de forma autônoma e demonstraram a capacidade de reparar neurônios danificados em experimentos de laboratório, abrindo um novo campo para a medicina regenerativa. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Os anthrobots são estruturas multicelulares criadas a partir de células da traqueia de doadores adultos, sem qualquer tipo de modificação genética. Medindo entre 30 e 500 micrômetros — da espessura de um fio de cabelo à ponta de um lápis —, eles se automontam em laboratório após serem cultivados por cerca de duas semanas, formando pequenos organoides.
O segredo de sua mobilidade está nos cílios, pequenas projeções semelhantes a cabelos presentes nas células traqueais. Os pesquisadores desenvolveram uma técnica para que esses cílios cresçam voltados para fora da estrutura, funcionando como remos que impulsionam o robô biológico. Segundo os estudos, eles podem se mover em linha reta, em círculos ou simplesmente se agitar no lugar, dependendo de sua forma.
A aplicação mais impactante demonstrada até agora é a capacidade de reparo neural. Em um experimento, os cientistas criaram uma "ferida" ao raspar uma camada de neurônios humanos cultivados em uma placa. Em seguida, introduziram os anthrobots no local.
Os robôs se agruparam sobre a área danificada, formando uma estrutura que os pesquisadores chamaram de "superbot". De forma surpreendente, essa estrutura serviu como uma "ponte" que estimulou o crescimento de novos neurônios, fechando a lesão em poucos dias. O mecanismo exato de como eles promovem essa regeneração ainda está sob investigação, mas o resultado é um avanço significativo.
Não. Segundo os criadores, eles possuem diversas salvaguardas. Os anthrobots sobrevivem apenas em condições específicas de laboratório, não se reproduzem e se biodegradam naturalmente em 45 a 60 dias. Por não possuírem modificações genéticas, não há risco de evoluírem ou se espalharem fora do ambiente controlado.
A principal vantagem é a biocompatibilidade. Ao construir os robôs a partir de células do próprio paciente, elimina-se o risco de rejeição pelo sistema imunológico, uma barreira comum em muitas terapias. Isso também dispensa a necessidade de medicamentos imunossupressores.
Embora ainda em fase experimental, o potencial é vasto. Os pesquisadores vislumbram o uso de anthrobots para reparar danos na medula espinhal ou nervos da retina, remover placas de artérias, administrar medicamentos de forma localizada e tratar doenças degenerativas. A tecnologia representa um passo em direção a tratamentos personalizados baseados em assistentes biológicos.
Os anthrobots representam uma fronteira promissora na biotecnologia, demonstrando que células humanas podem ser reorganizadas para executar novas funções sem engenharia genética. Embora a aplicação clínica ainda não seja uma realidade, essa pesquisa abre caminho para o desenvolvimento de novas ferramentas terapêuticas para a medicina regenerativa, transformando o que antes era ficção científica em uma possibilidade concreta.
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