CEO da OpenAI defende que memória DRAM de computadores pessoais migre para data centers de IA, citando desperdício. Entenda o impacto da proposta nos preços.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 4 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sam Altman, CEO da OpenAI, gerou polêmica ao afirmar que é "bastante terrível que as pessoas tenham memória RAM no PC sendo utilizada apenas 5% do tempo". A declaração, feita durante o podcast Cheeky Pint, defende que a capacidade ociosa em computadores pessoais representa um desperdício de recursos escassos que deveriam ser concentrados em data centers para inteligência artificial. Atualizado em 4 de novembro de 2026.
Para o executivo por trás do ChatGPT, a execução de modelos de IA localmente em computadores pessoais é uma "péssima alocação de recursos escassos", como a memória DRAM. Em um cenário de oferta global limitada, Altman argumenta que a prioridade deveria ser a "utilização máxima na nuvem", concentrando a maior parte da produção de memórias de fabricantes como Micron, SK Hynix e Samsung em grandes centros de dados, conforme reportado pelo NC News.
Essa visão se opõe diretamente à tendência de usuários e empresas que apostam em modelos de código aberto para rodar IA em seu próprio hardware, sem depender de serviços em nuvem como os da OpenAI. Para Altman, essa descentralização é ineficiente e agrava a escassez de componentes.
A centralização defendida por Altman teria consequências diretas no bolso do consumidor e em diversos setores da economia. A priorização de data centers de IA na fila de suprimentos já pressiona os preços de componentes para o mercado geral.
A corrida das empresas de IA por memória já impacta o mercado. Segundo o Estadão, a crise no desequilíbrio de oferta e demanda fez os mercados de PCs e smartphones encolherem globalmente. Consoles como o PlayStation 6 também podem ser encarecidos, e a consultoria TrendForce projeta um aumento de 10% a 15% nos preços da DRAM convencional, com a escassez podendo se estender até 2028 ou 2030, de acordo com projeções da Samsung e SK Hynix.
A proposta de direcionar a maior parte da produção de memória para data centers de IA colocaria outros setores em segundo plano. Equipamentos de saúde, transporte, sistemas de energia e até dispositivos médicos, que também dependem de chips de memória, poderiam enfrentar escassez e custos mais elevados, como aponta o portal NC News.
As declarações de Altman foram recebidas com críticas por parte de especialistas e ativistas, que veem na proposta um movimento para reforçar a dependência de serviços em nuvem e concentrar o poder tecnológico nas mãos de poucas empresas.
Críticos apontam que o modelo defendido pelo CEO da OpenAI restringe o acesso à IA para quem tem conexão limitada e pode encarecer ainda mais o hardware tradicional. Além disso, levanta questões sobre soberania digital, com empresas e governos se tornando mais dependentes de infraestruturas controladas por gigantes da tecnologia.
A ativista ambiental Erin Brockovich, conhecida por suas batalhas contra grandes corporações, criticou a visão de Altman. Em uma reação direta, ela questionou a sensibilidade social dos executivos de IA diante do enorme consumo de recursos como energia e água pelos data centers, perguntando: "Tem um ser humano aí dentro?", conforme divulgado pelo NC News.
Sam Altman criticou a RAM em PCs por considerá-la um desperdício de um recurso escasso. Ele argumenta que a memória DRAM fica ociosa na maior parte do tempo (usada apenas 5%) em máquinas pessoais, enquanto poderia estar em data centers de IA com utilização máxima para suprir a alta demanda global.
Sam Altman é o CEO da OpenAI, a organização responsável pelo desenvolvimento de modelos de inteligência artificial populares como o ChatGPT. Ele se tornou uma das figuras mais influentes no debate global sobre o futuro, os riscos e a regulação da IA.
Se a proposta de Altman for adotada pela indústria, as principais consequências seriam o aumento de preços para eletrônicos de consumo como PCs, smartphones e consoles. Além disso, setores críticos como saúde e transporte poderiam enfrentar escassez de componentes, e haveria uma maior dependência de serviços de IA em nuvem controlados por poucas empresas.
A visão de Sam Altman expõe um conflito central na era da IA: a disputa por recursos computacionais limitados. Enquanto sua lógica de eficiência máxima para alimentar data centers faz sentido do ponto de vista de negócios da OpenAI, ela ignora os impactos diretos sobre consumidores, outras indústrias e o debate sobre a concentração de poder tecnológico. A polêmica serve como um alerta sobre como as decisões de poucas empresas de tecnologia podem redefinir o acesso e o custo do hardware para todo o planeta.
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