A Anatel aprovou o uso de faixas para a tecnologia D2D, que permite conectar o celular a satélites da Starlink. Saiba como vai funcionar e o que falta.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a destinação de faixas de radiofrequência para a comunicação direta entre satélites e celulares no Brasil, abrindo caminho para serviços como o Starlink Direct to Cell. A medida, no entanto, estabelece que a tecnologia só poderá operar em parceria com as empresas de telefonia que já atuam no país. Atualizado em 3 de julho de 2026.
O Conselho Diretor da Anatel aprovou a utilização de faixas de radiofrequência para a tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D). Conforme a decisão, o serviço poderá usar as faixas de 700 MHz, 850 MHz, 900 MHz, 1.800 MHz, 1.900/2.100 MHz e 2.500 MHz. A Superintendência de Outorgas da agência terá até 90 dias para elaborar as especificações técnicas detalhadas para o uso dessas faixas, segundo o portal Canaltech.
A tecnologia D2D transforma satélites de baixa órbita em "torres de celular no espaço". De acordo com a Exame, o sistema permite que um smartphone comum, compatível com redes 4G LTE, se conecte diretamente a um satélite quando perde o sinal da operadora terrestre. A transição é automática, e o usuário não precisa de antenas externas, chips especiais ou aplicativos para que a conexão funcione.
A principal condição imposta pela Anatel é que a operação D2D deve ocorrer sempre em conjunto com as empresas de telefonia (como Vivo, Claro e TIM) que já possuem a licença para operar nas faixas de frequência designadas. Na prática, o serviço via satélite atuará como uma camada extra de cobertura em áreas remotas onde o sinal terrestre não chega. Essa estratégia é a mesma adotada em outros países, como nos Estados Unidos, onde a Starlink opera em parceria com a T-Mobile.
Apesar da liberação regulatória, ainda não há data oficial para o lançamento. A Starlink encaminhou um pedido formal à Anatel em fevereiro de 2026 com a previsão de iniciar as operações em 2027, como apurado pelo portal Viva. Para que o serviço se concretize, a empresa ainda precisa lançar uma nova geração de satélites, prevista para o fim de 2026, e fechar acordos comerciais com as operadoras brasileiras. Atualmente, nenhuma parceria foi anunciada.
Não. O serviço Direct to Cell foi projetado para complementar a cobertura das redes terrestres, não para substituí-las. Ele será ativado apenas em locais sem sinal convencional, como zonas rurais, estradas isoladas e alto-mar. Em áreas urbanas, a conexão via satélite não atravessa bem edifícios e estruturas de concreto.
A compatibilidade exige hardware com suporte a bandas LTE específicas. A lista de aparelhos já funcionais em outros países inclui modelos como a linha Samsung Galaxy S21 em diante (incluindo S22, S23, S24), o Galaxy Z Fold3 em diante, e os iPhones a partir do modelo 14, de acordo com a Exame.
A expectativa inicial é que o serviço seja oferecido gratuitamente nos planos já existentes durante o período de lançamento. Segundo o Canaltech, a estratégia seria educar o cliente sobre a utilidade do recurso, começando com funcionalidades básicas como mensagens de texto e localização. A monetização deve ocorrer futuramente, com a evolução para chamadas de voz e dados.
A decisão da Anatel é um passo fundamental para eliminar os "desertos de sinal" no Brasil. Embora a chegada do Starlink direto no celular dependa de acordos comerciais e avanços técnicos, o caminho regulatório está aberto. O presidente da agência, Carlos Baigorri, já afirmou que o país tem condições de liderar o mercado de D2D na América Latina, reforçando o potencial da tecnologia para um país de dimensões continentais.
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