Fenômeno pode causar excesso de chuva no Sul e agravar a seca no Norte e Nordeste, segundo agências climáticas internacionais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Agências climáticas internacionais elevaram o alerta para a formação de um El Niño de intensidade forte a muito forte a partir do segundo semestre de 2026, com potencial para alterar drasticamente o regime de chuvas e temperaturas no Brasil. Medições recentes no Oceano Pacífico Equatorial registraram temperaturas subsuperficiais até 6 °C acima da média histórica, um dos indicadores que acionaram o monitoramento global.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a probabilidade de o fenômeno se consolidar nos próximos meses chega a 90%. Já a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, estima uma chance de 96% de que o El Niño persista até o início de 2027. O aquecimento anômalo das águas do Pacífico é o principal motor do fenômeno, que reorganiza a circulação atmosférica em escala planetária.
Os efeitos do El Niño não são uniformes no país e tendem a intensificar os contrastes climáticos regionais. De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), as previsões indicam:
Embora alguns modelos climáticos projetem um aquecimento que poderia caracterizar um "Super El Niño" — termo informal para eventos excepcionalmente intensos —, cientistas pedem cautela. Especialistas apontam que as previsões feitas nesta época do ano ainda enfrentam a chamada "barreira da previsibilidade", que gera incertezas sobre a intensidade máxima do fenômeno. José Marengo, do Cemaden, afirma que, independentemente da força, os impactos ocorrerão e a preparação é fundamental.
O El Niño é um fenômeno natural, mas sua ocorrência em um planeta já aquecido pelas mudanças climáticas potencializa seus efeitos. A energia extra acumulada na atmosfera e nos oceanos pode tornar as secas mais longas, as chuvas mais extremas e as ondas de calor mais perigosas, amplificando os riscos para a economia, a produção de alimentos e a saúde pública.
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