Extinta na natureza desde 2000, a ararinha-azul voltou a voar na Bahia. Um projeto histórico de reintrodução já resultou no nascimento dos primeiros filhotes.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 18 de agosto de 2026. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), ave considerada extinta na natureza por mais de 20 anos, alcançou um marco histórico para a conservação no Brasil: o nascimento dos primeiros filhotes em vida livre após ser reintroduzida na Caatinga, em Curaçá, na Bahia. O evento representa um avanço crucial no projeto que busca restabelecer uma população autossustentável da espécie.
A ararinha-azul, uma espécie endêmica da Caatinga baiana, foi declarada extinta na natureza em outubro de 2000, quando o último indivíduo selvagem conhecido desapareceu em Curaçá. De acordo com o projeto de conservação, a partir daquele momento, a sobrevivência da espécie dependeu exclusivamente de programas de reprodução em cativeiro mantidos sob cuidados humanos.
O retorno da ave foi planejado por anos através do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-Azul, coordenado pelo ICMBio. O trabalho envolveu a repatriação de aves, reprodução assistida para garantir a diversidade genética e a recuperação de áreas do bioma. Em 2022, as primeiras solturas ocorreram em Curaçá:
As aves são monitoradas por meio de transmissores de rádio e rastreamento via satélite para acompanhar sua adaptação, rotas de voo e áreas de alimentação.
O passo mais significativo após a soltura ocorreu em 2023, com o nascimento dos primeiros filhotes em vida livre. Este evento é visto por especialistas como um sinal fundamental de que as aves reintroduzidas estão se adaptando, formando pares e conseguindo se reproduzir no ambiente natural. Segundo o relatório do projeto, isso eleva a iniciativa do patamar de soltura para o de restabelecimento ecológico.
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), uma das aves mais raras do mundo e símbolo da fauna da Caatinga, que havia sido vista pela última vez na natureza em 2000.
As aves foram reintroduzidas no município de Curaçá, na Bahia. A área foi escolhida por ser o território de ocorrência histórica da espécie e por abrigar ambientes de Caatinga essenciais para sua sobrevivência.
Ainda não. Embora o nascimento dos filhotes seja um sucesso extraordinário, a espécie continua em situação delicada. A recuperação a longo prazo depende de mais ciclos reprodutivos, do aumento da população e da proteção contínua do seu habitat contra o desmatamento e a captura ilegal.
A reintrodução da ararinha-azul e o subsequente nascimento de filhotes na Caatinga representam uma vitória para a conservação da biodiversidade brasileira. O projeto transformou a história da espécie, que passou de extinta na natureza a um símbolo de esperança, demonstrando que esforços planejados e contínuos podem reverter cenários críticos de extinção.
O peixe-leão, espécie venenosa e sem predadores naturais, já se espalha pelo Nordeste e ameaça chegar ao Sudeste. Entenda os perigos para o ecossistema e o que fazer se encontrar um.
Serpente de 80 kg foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros em Caldas Novas; animal já havia atacado galinhas e gatos na região. Veja como foi a operação.
Registro raro de fêmea de lobo-guará com três filhotes na Estação Ecológica Barreiro Rico reforça sucesso da conservação em área protegida. Entenda a importância.
Após 4 anos de monitoramento no Cerrado, o raro tamanduá-bandeira albino Alvinho segue saudável, superando os riscos de sua condição. Saiba como ele se adaptou.