Conheça a história do cemitério de navios de Moynaq, no Uzbequistão. Um dos maiores lagos do mundo secou e revelou um cenário desolador. Entenda o desastre.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O cemitério de navios no deserto do Uzbequistão é o resultado de um dos maiores desastres ambientais provocados pelo homem: o desaparecimento do Mar de Aral. O que antes foi o quarto maior lago do mundo hoje é uma vasta planície de areia e sal, onde cascos de embarcações enferrujam a quilômetros da água. Atualizado em 11 de agosto de 2026.
Localizado na antiga cidade portuária de Moynaq, o local se tornou um símbolo da catástrofe e um destino para o chamado "turismo de desastre". As embarcações, que um dia sustentaram uma próspera indústria pesqueira, agora servem como um monumento silencioso à tragédia que transformou a região.
A tragédia do Mar de Aral começou na década de 1960, quando o governo da antiga União Soviética iniciou um ambicioso projeto para impulsionar a produção de algodão, o "ouro branco", em uma região de clima seco. Para isso, desviou massivamente a água dos dois principais rios que alimentavam o lago, o Amu Darya e o Syr Darya, para irrigar as plantações, conforme relatos da BBC e do portal iG.
Com a fonte de água cortada, o lago começou a encolher drasticamente. Em poucas décadas, o Mar de Aral perdeu mais de 90% de seu volume, dividindo-se em porções menores e deixando para trás um deserto tóxico, segundo o Correio Braziliense.
A cidade de Moynaq, que já foi um vibrante porto, viu sua principal atividade econômica entrar em colapso. Nos anos 1950, a região fornecia mais de 10% do peixe consumido na União Soviética. "Havia 250 barcos aqui, e eu costumava pescar de 600 a 700 quilos de peixes por dia. Agora, não temos mais mar", relatou Almas Tolvashev, um ex-pescador, ao serviço uzbeque da BBC.
As consequências foram além da economia:
Apesar do cenário desolador, existem iniciativas para mitigar os danos. No Cazaquistão, a construção de uma barragem em 2005 permitiu a recuperação parcial do Norte do Mar de Aral, onde o nível da água subiu e a pesca voltou a ser viável.
No Uzbequistão, onde fica o cemitério de navios, a perspectiva é mais sombria. No entanto, um grande projeto está em andamento para plantar saxaul, um arbusto resistente à seca e ao sal, no antigo leito do mar. O objetivo, segundo o Correio Braziliense e a BBC, é fixar o solo, reduzir as tempestades de poeira tóxica e criar um "oásis verde" para melhorar as condições de vida na área.
O cemitério de navios está localizado na cidade de Moynaq, na república autônoma de Caracalpaquistão, no Uzbequistão. A cidade era um dos principais portos do Mar de Aral antes de o lago secar.
A porção norte do Mar de Aral, no Cazaquistão, viu uma recuperação significativa após a construção de uma barragem. No entanto, a porção sul, no Uzbequistão, permanece em grande parte seca, e sua recuperação completa é considerada improvável. Projetos atuais focam em mitigar os danos ambientais em vez de restaurar o mar em sua totalidade.
O cemitério de navios do Mar de Aral é um poderoso alerta sobre as consequências da intervenção humana no meio ambiente. As carcaças enferrujadas no deserto contam a história de uma comunidade que perdeu seu mar, sua economia e sua saúde. Embora esforços de recuperação ofereçam um vislumbre de esperança, a paisagem de Moynaq permanece como um testemunho duradouro de um dos piores desastres ecológicos do século XX.
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