Edital para manejo sustentável na Flona Balata-Tufari prevê R$ 300 milhões em investimentos, mas especialista alerta para risco de crime organizado. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O governo federal lançou um edital de concessão florestal para a Floresta Nacional (Flona) de Balata-Tufari, no sul do Amazonas, com a promessa de gerar empregos e promover o manejo sustentável. No entanto, a iniciativa é vista com ceticismo por especialistas que monitoram a região. Para o pesquisador Lucas Ferrante, a medida equivale a "colocar a raposa para cuidar do galinheiro" devido à falta de fiscalização e ao avanço do crime organizado na área de influência da BR-319. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Lançado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) com apoio do BNDES, o projeto prevê a concessão de aproximadamente 268 mil hectares da Flona para a exploração sustentável de madeira por 37 anos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a iniciativa busca atrair R$ 300 milhões em investimentos privados e gerar 1.236 empregos diretos e indiretos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a iniciativa demonstra como a concessão pode aliar "investimento produtivo legal, renda, empregos e combate ao desmatamento", mantendo a floresta em pé.
A principal crítica vem do pesquisador Lucas Ferrante, da USP e colaborador do Censipam, que aponta graves problemas de governança na região. "Parcerias público-privadas para gerir a governança da BR-319 é igual colocar a raposa para tomar conta do galinheiro. Não existe nenhuma capacidade de fato de que isso funcione", afirmou Ferrante ao portal A Crítica.
Ele alerta que a área já sofre com a expansão de facções como o PCC e o Comando Vermelho, que se infiltram em empresas para controlar o território. Segundo o pesquisador, estudos indicam a necessidade de postos da Polícia Federal a cada 30 quilômetros na BR-319 para garantir um controle mínimo, algo que não existe atualmente.
A Flona Balata-Tufari está localizada em uma área estratégica e pressionada pela BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. A pavimentação do chamado "trecho do meio" da estrada é um ponto de debate, com ambientalistas alertando para o aumento do desmatamento e da ocupação ilegal.
O ceticismo de Ferrante é reforçado por estudos acadêmicos sobre o tema. Análises sobre concessões florestais na Amazônia apontam que a "fiscalização limitada" e os "conflitos fundiários" são desafios significativos que podem comprometer o cumprimento das normas ambientais e os objetivos de conservação.
É um mecanismo regulamentado pela Lei nº 11.284/2006 que permite a empresas privadas, cooperativas ou comunidades explorarem de forma sustentável produtos e serviços em florestas públicas, com o objetivo de equilibrar o uso econômico e a conservação ambiental.
A Floresta Nacional de Balata-Tufari está localizada no sul do estado do Amazonas, principalmente no município de Canutama, em uma região de grande importância para a conservação, próxima à rodovia BR-319.
O governo visa ampliar a área de manejo sustentável na Amazônia, combater a exploração ilegal de madeira, gerar empregos e renda para as populações locais e promover o desenvolvimento de uma economia florestal, mantendo a floresta em pé.
A concessão da Flona Balata-Tufari representa uma aposta do governo para conciliar desenvolvimento e preservação na Amazônia. Contudo, os alertas de especialistas sobre a ausência de uma estrutura robusta de fiscalização e o avanço do crime organizado na região colocam em xeque a viabilidade do projeto. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade do Estado de garantir a governança e a segurança em uma das áreas mais sensíveis da floresta.
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