Tecnologia com câmera térmica foi usada por cientistas no sul da Bahia para encontrar o crejoá, ave criticamente ameaçada. Saiba como o método funciona.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 30 de junho de 2026. Uma nova tecnologia está trazendo esperança para a conservação de uma das aves mais raras e ameaçadas da Mata Atlântica. Pesquisadores conseguiram localizar um indivíduo de crejoá (Cotinga maculata) no sul da Bahia utilizando um drone equipado com câmera térmica, uma metodologia promissora para monitorar a espécie.
A expedição, coordenada pela SAVE Brasil em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), foi realizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel. O sucesso do teste pode ajudar a preencher lacunas sobre o tamanho real da população da ave, atualmente estimada entre apenas 50 e 249 indivíduos maduros, segundo o portal G1.
O drone utilizado na pesquisa combina imagens térmicas com fotografias de alta resolução. A tecnologia funciona detectando pequenas diferenças de temperatura entre os corpos dos animais e a vegetação ao redor, permitindo identificar aves que seriam praticamente invisíveis a olho nu no dossel da floresta.
Durante os cinco dias de trabalho na Bahia, a equipe realizou 19 voos experimentais. Um dos resultados mais importantes, além da localização do crejoá, foi que as aves monitoradas não demonstraram sinais de incômodo com a aproximação do equipamento. A tecnologia também identificou árvores frutificando, indicando possíveis locais de alimentação para espécies como o crejoá.
O crejoá é uma ave exclusiva da Mata Atlântica e está classificado como "Criticamente em Perigo de Extinção". Com cerca de 20 centímetros, o macho se destaca pela plumagem azul-cobalto e peito púrpuro, sendo considerado uma das aves mais belas do Brasil. As fêmeas, por outro lado, possuem uma coloração parda e mais discreta.
A principal dificuldade para monitorar a espécie com métodos tradicionais é seu comportamento: o crejoá passa a maior parte do tempo nas copas mais altas das árvores, movimenta-se silenciosamente e não possui um canto intenso que facilite sua identificação, conforme detalhado em reportagem do Terra da Gente.
Além do crejoá, a expedição registrou outras espécies que vivem no alto da floresta, como o anambé-de-asa-branca e um chauá. Os pesquisadores consideram os resultados animadores, mas destacam que a técnica ainda precisa de mais estudos para validação científica e exige operadores especializados.
"Esse método, junto com métodos mais tradicionais de observação, mostra potencial para ajudar a gente a entender melhor a situação do crejoá", afirmou Ben Phalan, coordenador de Ciência da SAVE Brasil, ao G1. O próximo passo é aplicar a metodologia em outras áreas da Mata Atlântica para obter dados mais precisos sobre a distribuição e o tamanho das populações da ave.
O crejoá (Cotinga maculata) está classificado como Criticamente em Perigo de Extinção em nível global. Sua população sofreu um forte declínio devido à perda e fragmentação de seu habitat na Mata Atlântica, com uma estimativa populacional de apenas 50 a 249 indivíduos maduros.
A Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil. A perda de habitat pelo avanço da agricultura, expansão urbana, caça e exploração madeireira são as principais causas do desaparecimento de espécies. Um estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and Evolution aponta que sete espécies de aves do bioma foram consideradas provavelmente extintas nas últimas décadas.
Sim. A tecnologia de drones com câmeras termais tem se mostrado eficaz para monitorar diversas espécies. No Rio de Janeiro, por exemplo, pesquisadores utilizaram o equipamento para localizar e monitorar grupos de muriquis-do-sul, o maior primata das Américas, que também está criticamente ameaçado de extinção.
O uso de drones térmicos representa um avanço significativo para a conservação da vida selvagem, especialmente em biomas densos e fragmentados como a Mata Atlântica. A localização do crejoá na Bahia demonstra o potencial da tecnologia para fornecer dados cruciais que podem orientar estratégias mais eficazes para proteger espécies raras e ameaçadas.
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