Conheça a Wallis Annenberg Wildlife Crossing, na Califórnia, que atravessa 10 faixas da rodovia US-101 para salvar pumas e outras espécies do atropelamento.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A maior ponte para animais do mundo, a Wallis Annenberg Wildlife Crossing, está em fase final de construção na Califórnia, EUA. Projetada para atravessar 10 faixas da movimentada rodovia US-101, a estrutura de aproximadamente US$ 114 milhões (cerca de R$ 620 milhões) visa reconectar habitats e proteger espécies como pumas do risco de atropelamento. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A Wallis Annenberg Wildlife Crossing é um ecoduto, ou seja, uma ponte verde projetada exclusivamente para a passagem de fauna. A estrutura está sendo erguida sobre a rodovia US-101 em Agoura Hills, ao noroeste de Los Angeles, uma via por onde circulam cerca de 300 mil veículos diariamente. Com aproximadamente 64 metros de comprimento e 53 de largura, seu objetivo é conectar as montanhas de Santa Mônica a outras áreas naturais, que foram separadas pela estrada há décadas.
A principal motivação para o projeto é a sobrevivência dos pumas que habitam as montanhas de Santa Mônica. A rodovia US-101 funciona como uma barreira física, isolando a população de felinos e impedindo que eles encontrem parceiros de outros territórios. Esse isolamento aumenta a endogamia (cruzamento entre parentes), o que prejudica a diversidade genética e eleva o risco de extinção local da espécie, segundo especialistas. A ponte oferece um caminho seguro para que os animais se desloquem, busquem alimento e se reproduzam com outros grupos.
Diferente de uma ponte convencional de concreto, o ecoduto foi desenhado para se integrar à paisagem e simular um ambiente natural, incentivando o uso pelos animais.
A superfície da ponte será coberta com terra e milhares de plantas nativas da região, como papoulas e sálvia. O projeto também inclui barreiras vegetadas para abafar o ruído e a luz dos veículos, criando uma travessia mais segura e tranquila para a vida selvagem. A intenção é que os animais cruzem a rodovia sem perceber que estão sobre uma estrutura de engenharia.
O custo total do projeto é estimado em US$ 114 milhões (aproximadamente R$ 620 milhões). O financiamento é resultado de uma parceria público-privada, combinando fundos estaduais da Califórnia com doações de mais de 5 mil doadores particulares, incluindo a filantropa Wallis Annenberg, que dá nome à obra.
A previsão oficial para a conclusão da estrutura principal é para o final de 2026, com data estimada para 2 de dezembro, embora o cronograma possa ser afetado por condições climáticas. Após a conclusão, ainda será necessário um período para o crescimento da vegetação.
Embora os pumas sejam o foco principal, a ponte foi projetada para beneficiar toda a fauna local. A lista inclui coiotes, linces, veados, raposas, coelhos, além de animais menores como lagartos, cobras, sapos e até insetos, como as borboletas-monarca.
Sim. O Brasil inaugurou em 2024 seu primeiro viaduto vegetado na BR-101, em Silva Jardim (RJ). A estrutura foi construída para proteger o mico-leão-dourado, uma espécie ameaçada de extinção, conectando fragmentos da Mata Atlântica que foram separados pela rodovia.
A Wallis Annenberg Wildlife Crossing é mais do que uma obra de engenharia; é um marco na conservação da biodiversidade em áreas urbanas. Ao reconectar ecossistemas fragmentados, o projeto oferece uma solução inovadora para a coexistência entre o desenvolvimento humano e a vida selvagem, servindo de modelo para iniciativas semelhantes em todo o mundo.
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