Pescadores de Porto Seguro (BA) já faturaram R$ 12 mil com a captura do peixe-leão, uma espécie invasora. A prefeitura paga R$ 10 por exemplar. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Pescadores de Porto Seguro, no sul da Bahia, já faturaram cerca de R$ 12 mil com a captura do peixe-leão (Pterois volitans), uma espécie invasora que ameaça a biodiversidade local. Atualizado em 8 de novembro de 2026. A iniciativa, parte de um plano municipal, remunera os profissionais com R$ 10 por cada exemplar entregue, resultando na retirada de mais de 1,2 mil peixes do mar desde julho de 2026.
O Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão foi criado pela prefeitura após o primeiro registro da espécie na região, em junho de 2026, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora. Para incentivar a remoção do animal, o município paga R$ 10 por cada peixe entregue à Colônia de Pescadores Z-22. A medida tem gerado resultados expressivos: somente em outubro, foram entregues 275 exemplares, totalizando um repasse de R$ 2.750 aos pescadores, conforme apurado por veículos de imprensa locais.
O avanço do peixe-leão representa um risco tanto para o ecossistema marinho quanto para a saúde humana.
Originário dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão não possui predadores naturais conhecidos na costa brasileira. Sua alta capacidade reprodutiva — uma fêmea pode gerar até 2 milhões de ovos por ano — e sua dieta voraz, baseada em peixes e crustáceos nativos, representam um grave risco para o equilíbrio dos recifes de corais, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Além do impacto ambiental, a espécie é perigosa para humanos. Seus espinhos contêm um veneno que, em contato com a pele, pode causar dor intensa, febre, náuseas e, em casos mais graves, convulsões. Autoridades ambientais orientam a população a não tocar no animal, mesmo que ele pareça morto, e a procurar atendimento médico imediatamente em caso de acidente.
Os mais de 1,2 mil peixes capturados têm destinos específicos para maximizar o conhecimento sobre a espécie e evitar o desperdício. Parte dos exemplares é encaminhada à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde pesquisadores estudam a biologia, alimentação e distribuição do peixe-leão. Outra parte é enviada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) para estudos sobre seu aproveitamento na gastronomia, já que sua carne é considerada segura para consumo após a remoção cuidadosa dos espinhos venenosos.
A prefeitura paga R$ 10 por cada exemplar do peixe-leão capturado e entregue na Colônia de Pescadores Z-22, como parte do plano de controle da espécie invasora.
Sim, o peixe-leão é perigoso devido aos seus espinhos venenosos. O contato pode causar ferimentos dolorosos e reações graves. Embora os registros em Porto Seguro se concentrem em áreas de corais e pedras, a orientação é manter distância e nunca tocar no animal.
Sim, a carne do peixe-leão é própria para consumo e apreciada em outros países. No entanto, o veneno está concentrado nos espinhos, que devem ser removidos com extremo cuidado por profissionais capacitados antes do preparo.
A iniciativa em Porto Seguro demonstra uma estratégia de dupla vantagem: controlar a população de uma espécie invasora perigosa e, ao mesmo tempo, gerar uma nova fonte de renda para a comunidade de pescadores locais. O programa combina ação direta, pesquisa científica e potencial desenvolvimento gastronômico para enfrentar um dos maiores desafios atuais da biodiversidade marinha brasileira.
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