Operação em Fernando de Noronha captura número recorde da espécie invasora que ameaça o ecossistema local. Entenda a importância do controle do peixe-leão.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma equipe de mergulhadores em Fernando de Noronha bateu um recorde ao capturar 312 peixes-leão em uma única expedição na última quarta-feira (28). A ação, conduzida pela operadora Sea Paradise, representa um marco nos esforços para conter o avanço da espécie invasora que ameaça a biodiversidade do arquipélago. Atualizado em 31 de outubro de 2026.
A captura recorde de 312 exemplares ocorreu na região do porto de Fernando de Noronha, segundo informações da equipe. A operação, aprovada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), evidencia a rápida proliferação do peixe-leão na área. Desde a primeira identificação da espécie em 2020, quase 5 mil indivíduos já foram retirados do mar.
Segundo Fernando Rodrigues, coordenador da operação e mergulhador da Sea Paradise, a escala das capturas aumentou drasticamente. "No início das operações capturar entre 30 e 40 animais em uma saída era algo incomum. Atualmente, as equipes retiram, em média, de 100 a 150 exemplares por expedição", afirmou ele a veículos de imprensa. Rodrigues alerta que, sem um esforço contínuo, a espécie pode "dominar de vez" o ecossistema local.
Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) é considerado uma das principais ameaças aos ecossistemas marinhos onde é introduzido. Sua periculosidade se deve a uma combinação de fatores:
O avanço da espécie não se restringe a Noronha, com registros de ocorrências e acidentes em diversos estados do Nordeste, como Ceará, Alagoas e Bahia, gerando alerta entre especialistas sobre a possível chegada ao Sudeste.
O peixe-leão é uma espécie de peixe venenoso e invasor, nativo da região indo-pacífica. Ele é conhecido por seus longos espinhos e por ser um predador voraz, representando uma séria ameaça à biodiversidade de ecossistemas onde não é nativo, como a costa brasileira.
O primeiro registro oficial da aparição do peixe-leão em Fernando de Noronha ocorreu em dezembro de 2020. Desde então, sua população tem crescido rapidamente, exigindo operações de manejo constantes.
Os peixes-leão capturados nas operações de manejo em Fernando de Noronha são distribuídos para diversas universidades no Brasil, onde são utilizados em pesquisas científicas para entender melhor a espécie e seus impactos.
A captura recorde de 312 peixes-leão em Fernando de Noronha é, ao mesmo tempo, um sucesso da operação de manejo e um grave alerta sobre a intensidade da invasão. O trabalho contínuo de equipes como a Sea Paradise, com o apoio do ICMBio, é fundamental para proteger o frágil e único ecossistema marinho do arquipélago contra os danos devastadores causados por esta espécie.
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