A capital da Catalunha substitui o asfalto por áreas verdes e pisos permeáveis. A iniciativa já conta com 104 pontos que absorveram 370 milhões de litros de chuva. Entenda como a estratégia de 'cidade-esponja' funciona e seus benefícios.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Barcelona está removendo o asfalto de suas ruas para criar "esponjas urbanas", uma estratégia inovadora para combater os efeitos de eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais e ondas de calor. Atualizado em 18 de setembro de 2026, o projeto já implementou 104 desses espaços, que em 2025 conseguiram absorver e gerenciar cerca de 370 milhões de litros de água da chuva, o equivalente a 148 piscinas olímpicas.
As "esponjas urbanas" são tecnicamente conhecidas como Sistemas Urbanos de Drenagem Sustentável (SUDS). Em vez de depender apenas da rede de esgoto tradicional, esses sistemas usam a própria paisagem para gerenciar a água. A iniciativa imita o ciclo natural da água, que é quebrado em cidades com excesso de superfícies impermeáveis como concreto e asfalto.
Atualmente, esses 104 pontos de drenagem sustentável ocupam uma área de 17,3 hectares em Barcelona, segundo dados da prefeitura. Eles se manifestam de várias formas no ambiente urbano:
A implementação das 'esponjas' urbanas é uma resposta direta à emergência climática, enfrentando dois problemas que afligem a cidade: o excesso de água durante tempestades e a falta dela durante longos períodos de seca. Os benefícios são múltiplos e interligados.
Em cidades densas, chuvas intensas sobrecarregam rapidamente a rede de drenagem, causando inundações. Os SUDS retêm a água onde ela cai, aliviando a pressão sobre a infraestrutura e reduzindo o volume que chega aos coletores de esgoto, diminuindo assim o risco de enchentes, conforme detalhado pelo El Periódico.
A remoção do asfalto e a introdução de vegetação e solo permeável ajudam a combater o efeito de ilha de calor. A combinação de árvores, plantas e infiltração de água pode reduzir a temperatura local em até 10 graus Celsius, tornando a cidade mais fresca e agradável, especialmente durante os verões cada vez mais quentes.
Essas estruturas funcionam como filtros naturais. A água da chuva, ao passar pelas camadas de solo e vegetação, é limpa de poluentes como óleos e metais pesados antes de recarregar os aquíferos. Essa água subterrânea pode ser aproveitada para irrigar parques, limpar ruas e encher fontes ornamentais, como aponta a prefeitura.
Cidade-esponja é um modelo de planejamento urbano que visa transformar a cidade para que ela possa absorver, armazenar e purificar a água da chuva de forma mais natural e eficiente. A estratégia utiliza infraestrutura verde, como parques e pavimentos permeáveis, para reduzir o impacto de enchentes e melhorar a resiliência climática, conceito adotado por países como a China desde 2014.
Não. A estratégia de Barcelona atua em dois níveis. Onde o asfalto não é essencial, ele é removido e substituído por superfícies permeáveis. Onde o pavimento é necessário, a cidade testa alternativas mais sustentáveis, como um projeto-piloto que utiliza biocarvão de caroços de azeitona para criar um asfalto com pegada de carbono até 76% menor, segundo o GZH. A infraestrutura verde deve ser combinada com a engenharia tradicional para máxima eficácia.
Sim. O conceito de cidade-esponja ganhou força globalmente. A China é um dos maiores exemplos, com um programa nacional que visa transformar 80% de suas áreas urbanas em "esponjosas" até 2030. Cidades na Europa e em outras partes do mundo também estão investindo em infraestrutura verde para se adaptarem às mudanças climáticas.
A iniciativa de Barcelona de remover o asfalto para criar 'esponjas' urbanas é um exemplo prático e eficaz de adaptação climática. Ao gerenciar a água da chuva de forma inteligente, a cidade não só previne inundações, mas também combate o calor, melhora a qualidade da água e cria um ambiente urbano mais verde e resiliente para seus cidadãos, servindo de modelo para metrópoles em todo o mundo.
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