Em Bangladesh, um casal usou 80 mil garrafas plásticas para construir uma casa de 158 m² para seu filho. A obra custou 75% menos e virou exemplo de construção sustentável.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um casal em Bangladesh transformou mais de uma tonelada de lixo plástico em um lar de 158 m² para sua família, incluindo um filho com deficiência. Utilizando cerca de 80 mil garrafas plásticas descartadas no lugar de tijolos, Rashedul Alam e Asma Khatun construíram a residência com um custo 75% menor que o de uma obra convencional. Atualizado em 11 de outubro de 2026.
O método construtivo consistiu em preencher cada uma das 80 mil garrafas plásticas com areia compactada, transformando-as em blocos sólidos e resistentes. De acordo com reportagens, esses "tijolos de garrafa" foram então assentados horizontalmente e unidos com argamassa de cimento e areia, de forma semelhante à alvenaria tradicional. A estrutura da casa, no entanto, também contou com materiais convencionais como barras de ferro, madeira e telhas metálicas para garantir a estabilidade.
O processo envolveu etapas como:
Garrafas de um litro foram usadas na base da estrutura, enquanto as de meio litro compuseram as divisórias superiores, otimizando o encaixe e a distribuição de peso, conforme detalhado pelo Fato Paulista.
A decisão de Rashedul e Asma, ambos com formação em Ciências Ambientais, foi motivada por múltiplos fatores. O principal foi a necessidade de construir um lar adaptado e em um ambiente tranquilo para o filho com deficiência, longe da agitação da capital Daca. O alto custo dos tijolos cerâmicos na região rural de Lalmonirhat era um obstáculo financeiro significativo. Inspirada por projetos ecológicos que viu na internet, Asma propôs a alternativa, que unia a necessidade econômica à aplicação de seus conhecimentos em sustentabilidade, como informa a Super Rádio Tupi.
Além da drástica redução de custos, a casa oferece benefícios práticos e ambientais. O preenchimento com areia funciona como um excelente isolante térmico, mantendo o interior fresco no calor e aquecido no frio, uma vantagem no clima de Bangladesh. Fontes como o Catraca Livre e o Fato Paulista também destacam que a estrutura demonstrou ser resistente a ventos fortes e tremores de terra, superando a rigidez de construções de tijolos comuns. Ambientalmente, o projeto retirou de circulação 80 mil garrafas que poderiam poluir rios e solos.
A construção teve um custo total de aproximadamente 400 mil takas, a moeda local. Esse valor representou apenas um quarto (25%) do custo de uma obra tradicional com tijolos em Bangladesh, segundo estimativas do casal divulgadas em diversas reportagens.
Sim, mas exige planejamento técnico. A casa em Bangladesh foi projetada para ser estruturalmente sólida, utilizando também vergalhões de ferro e argamassa. Especialistas citados pelo The Times of India consideraram a iniciativa ecologicamente correta. No entanto, a Agência GBC alerta que este não é um método "faça você mesmo" e que qualquer projeto semelhante deve ter o acompanhamento de engenheiros para garantir a segurança, considerando fatores como fundação, distribuição de carga e normas locais.
A residência de 158 m² (1.700 pés quadrados) foi projetada para ser funcional para a família. A planta inclui quatro quartos, sala de estar, cozinha, sala de jantar, dois banheiros, um corredor e uma varanda.
A iniciativa de Rashedul Alam e Asma Khatun em Bangladesh é um poderoso exemplo de como a criatividade e a necessidade podem gerar soluções inovadoras e sustentáveis. Ao transformar lixo em moradia, o casal não apenas construiu um lar seguro e econômico para sua família, mas também ofereceu uma alternativa viável para a crise habitacional e o problema da poluição plástica. O projeto serve de inspiração global, provando que é possível aliar responsabilidade ambiental, economia e engenhosidade para construir um futuro mais sustentável.
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