Filósofo grego classificou as relações em três tipos — por utilidade, prazer e virtude — e seus ensinamentos seguem atuais para entender nossos vínculos.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em um mundo de conexões rápidas e, por vezes, superficiais, os ensinamentos do filósofo grego Aristóteles sobre a amizade, escritos há mais de dois milênios em sua obra "Ética a Nicômaco", oferecem um guia para diferenciar os laços verdadeiros dos passageiros. Para ele, "ninguém escolheria viver sem amigos", mesmo que possuísse todos os outros bens.
Aristóteles identificou que muitas de nossas relações são baseadas na utilidade ou no prazer. A amizade por utilidade é aquela em que as pessoas se relacionam porque se beneficiam mutuamente, como colegas de estudo que trocam anotações. Já a amizade por prazer une pessoas em torno de atividades divertidas, como um grupo que se encontra apenas para jogar futebol.
Segundo o filósofo, esses dois tipos de amizade são "circunstanciais" e frágeis. Elas duram apenas enquanto o benefício ou o prazer existir. Quando o motivo que uniu as pessoas desaparece, a amizade tende a se dissolver, pois o vínculo não estava na pessoa em si, mas no que ela proporcionava.
O terceiro e mais elevado tipo de amizade, segundo Aristóteles, é a amizade perfeita, baseada na virtude e no caráter. Nesse tipo de relação, os amigos desejam o bem um do outro por quem eles são, e não por qualquer vantagem que possam obter. É um vínculo que se baseia na admiração mútua pela bondade e integridade do outro.
Essa é a forma mais duradoura de amizade, pois a virtude é uma característica estável. No entanto, o filósofo adverte que ela é rara, pois poucas pessoas atingem um alto nível de virtude. Além disso, construir tal amizade exige tempo e convivência. Como diz um provérbio grego citado por ele, as pessoas não podem se conhecer de verdade até que tenham "provado sal juntos".
Para Aristóteles, a amizade verdadeira é recíproca e reconhecida. Não basta que uma pessoa deseje o bem da outra; é preciso que esse sentimento seja mútuo e que ambos saibam disso. Um amigo virtuoso funciona como um "espelho da alma" ou um "segundo eu", refletindo nossas qualidades e nos ajudando a crescer.
Cultivar esses laços exige esforço e dedicação, mantendo atividades em conjunto e diálogos honestos. Em um mundo acelerado, a lição de Aristóteles é que investir em amizades profundas, baseadas no caráter, é essencial para uma vida plena e feliz.
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