Cecília Monteiro, do Tatuapé, serve um banquete de frutas para dezenas de aves silvestres todos os dias. Conheça a história de como esse ritual a ajudou.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Diariamente, antes mesmo de preparar seu próprio café da manhã, Cecília Monteiro tem um compromisso especial em sua casa no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo. Há cerca de três anos, ela acolhe dezenas de aves silvestres com um banquete de frutas e sementes. O que começou como um simples gesto se transformou em uma terapia que, segundo ela, a ajudou a superar um período difícil de sua vida. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A rotina de Cecília começa antes do amanhecer. Em uma tábua instalada na parte superior da casa, ela organiza um cardápio variado para seus visitantes alados, que inclui mamão, maçã, banana, uva e sementes de girassol, além de água fresca. Conforme relatado ao G1, as aves chegam aos poucos, vindas das árvores próximas, para a primeira refeição do dia.
Por volta das 7h30, o espaço é limpo e um segundo "restaurante" é preparado na parte de baixo da casa. Essa área, com tijolos vazados, permite que aves menores, como sabiás e rolinhas, se alimentem com mais tranquilidade, sem a disputa com as espécies maiores. Só depois de garantir que todos foram servidos, Cecília toma seu próprio café da manhã.
A tradição começou de forma despretensiosa há cerca de três anos. Cecília passou a oferecer sementes para algumas pombas e, pouco tempo depois, um periquito apareceu. "No outro dia, ele trouxe um monte junto com ele. A família e os amigos", contou ela em entrevista ao G1. Desde então, a casa virou um ponto de encontro para maracanãs, periquitões, maritacas e outras espécies.
Em certas épocas, especialmente no inverno, o número de visitantes pode chegar a 80 aves por dia, segundo relatos de Cecília ao portal Só Notícia Boa. Alguns dos frequentadores mais assíduos já ganharam até apelidos, como o "Pouca Pena" e o "Bentinho", que tem uma parte do bico danificada.
A relação de Cecília com as aves vai muito além da alimentação. Ela revelou que o hábito começou em um momento extremamente delicado de sua vida. "Eu passei por um momento muito difícil [...] O fato de eu ter que levantar todos os dias para alimentar eles foi me trazendo vida", desabafou ao G1. Em outra entrevista, ela reforçou: "Elas são uma terapia".
A obrigação diária de cuidar dos animais ajudou Cecília a recuperar a disposição e o ânimo. Hoje, ela se diz grata pela companhia dos visitantes. "Eu sou muito grata por essas aves. Eles são um presente na minha vida", afirmou.
As espécies mais comuns que frequentam a casa de Cecília são da família dos psitacídeos, como maracanãs, periquitões, maritacas e periquitos-ricos. Além deles, sabiás, rolinhas, bem-te-vis e sanhaços também aparecem para se alimentar.
O número de aves varia, mas em períodos de maior movimento, como no inverno, Cecília já chegou a contar entre 70 e 80 pássaros em um único dia, conforme relatado em entrevistas.
Alimentar aves silvestres pode ser benéfico, especialmente em épocas de escassez de recursos, como o inverno. No entanto, é crucial oferecer os alimentos corretos. Frutas frescas, sementes apropriadas e água limpa são as opções mais indicadas. Alimentos industrializados, como pão e bolachas, devem ser evitados, pois não fornecem os nutrientes necessários e podem causar problemas de saúde às aves, segundo especialistas citados pelo portal Amo Meu Pet.
A história de Cecília Monteiro no Tatuapé é um exemplo poderoso da conexão entre seres humanos e a natureza urbana. O que começou como um gesto de carinho se tornou uma fonte de cura e propósito, mostrando como um simples café da manhã para pássaros pode transformar vidas — tanto a de quem oferece quanto a de quem recebe.
Após o desafio na Colômbia, o gaúcho de Bagé fundou a escola Força Sempre e viu a procura por cursos de sobrevivencialismo crescer após as enchentes no estado.
Em Pelotas (RS), uma funcionária acompanhou da janela de seu trabalho o nascimento e crescimento de filhotes de carcará em uma floreira. Veja os registros.
A superidosa do Espírito Santo, uma das mais velhas do Brasil, compartilha sua receita para uma vida longa: caridade, forró e Botafogo. Saiba mais.
Uma cachorrinha vira-lata chamada Helena surpreendeu a internet ao posar com um corte chanel e franja. Entenda a história por trás da transformação que gerou até uma disputa em família.