Planeja ampliar a vaga do carro? Derrubar uma parede sem avaliação técnica pode expor um pilar de sustentação e colocar a estrutura em risco. Saiba como identificar os perigos e quais as exigências legais antes de iniciar a obra.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um morador decidiu derrubar uma pequena parede para ampliar a vaga da garagem e, durante a obra, descobriu que ela escondia uma coluna de sustentação da cobertura. A situação, que parece incomum, expõe um risco recorrente em reformas residenciais feitas sem avaliação técnica prévia. Atualizado em 8 de outubro de 2026.
A principal razão é a diferença entre paredes de vedação e elementos estruturais. Em construções de concreto armado, pilares e vigas formam a estrutura principal, enquanto muitas paredes servem apenas para dividir espaços. O problema é que o acabamento, como reboco e pintura, pode esconder completamente essa diferença, fazendo um pilar de concreto parecer parte da alvenaria comum, como aponta um relato do portal O Antagonista.
Além disso, existem edificações em alvenaria estrutural, nas quais as próprias paredes participam da sustentação. Nesses casos, a remoção de qualquer bloco pode comprometer a segurança de toda a construção.
A primeira e mais importante medida é interromper a demolição imediatamente. Profissionais de engenharia recomendam não cortar, perfurar ou reduzir a seção do elemento encontrado. A partir daí, é crucial seguir um protocolo de segurança para avaliar a situação:
Testes improvisados, como bater na superfície para ouvir se parece "oca", não são confiáveis. A única forma segura é através de uma análise técnica realizada por um engenheiro ou arquiteto. Este profissional irá analisar as plantas estruturais do imóvel ou, na ausência delas, fará uma leitura da edificação para identificar vigas, pilares e o sistema construtivo antes de autorizar qualquer demolição, conforme a norma ABNT NBR 16280.
Qualquer intervenção que possa afetar a estrutura de uma edificação exige um responsável técnico (engenheiro ou arquiteto) com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). O Código Civil também proíbe obras que possam causar desmoronamento ou comprometer a segurança de imóveis vizinhos sem a execução de medidas de proteção, como escoramentos.
Essa situação agrava o problema e é relativamente comum em casas antigas ou geminadas. Se a coluna estiver sobre a linha divisória ou for uma "parede-meia", ela pode ser de responsabilidade compartilhada. A demolição sem escoramento pode causar danos diretos ao vizinho, gerando responsabilidade civil e até criminal. Nesses casos, a obra deve ser paralisada, e a solução deve ser discutida com o vizinho, sempre com base em um laudo técnico que definirá a responsabilidade pelos custos do reforço estrutural.
A vontade de ampliar um espaço, como a garagem, é legítima, mas a execução da obra não pode ser baseada em suposições. O caso do morador que encontrou uma coluna estrutural serve de alerta: a economia ao não contratar um profissional para a avaliação inicial pode resultar em custos muito maiores com reparos emergenciais, multas e, no pior dos casos, um colapso estrutural. A sequência correta é sempre investigar primeiro e demolir depois.
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