Entenda por que torcer contra o sucesso alheio raramente é maldade. A psicologia explica como a inveja e a baixa autoestima ativam mecanismos de defesa.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Sentir um incômodo com o sucesso de alguém ou alívio com o fracasso alheio é mais comum do que se admite. Segundo especialistas, pessoas que desejam o mal aos outros frequentemente não são más, mas agem por um mecanismo de defesa. Atualizado em 22 de junho de 2026, a psicologia explica que esse comportamento é uma estratégia inconsciente da mente para se proteger de dores como inveja, baixa autoestima e frustração.
O conceito de mecanismo de defesa foi introduzido por Sigmund Freud e detalhado por sua filha, Anna Freud, no livro “O Ego e os Mecanismos de Defesa” (1936). Conforme aponta a psicologia, são estratégias inconscientes que a mente utiliza para reduzir sentimentos como angústia, culpa, medo ou vergonha. O objetivo é proteger o Ego de um desprazer psíquico, funcionando como uma "cortina emocional" que se ativa automaticamente diante de sentimentos que a pessoa não consegue reconhecer como seus.
A hostilidade dirigida a outra pessoa raramente nasce da crueldade pura. Geralmente, é um reflexo de dores internas não resolvidas. Diversos fatores psicológicos explicam por que alguém pode desenvolver o padrão de desejar o mal aos outros.
A projeção é um dos mecanismos de defesa mais comuns nesse cenário. Acontece quando uma pessoa atribui a outros os sentimentos e defeitos que não consegue admitir em si mesma. Psicólogos como Diogo Mendes explicam que quem passa o dia apontando erros alheios, muitas vezes, não consegue enxergar as próprias qualidades. Uma frase atribuída a Freud resume a ideia: "Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo".
A comparação constante é outro gatilho poderoso. Quando a conquista de um colega ou amigo se torna um lembrete do que a pessoa ainda não alcançou, a dor pode ser transformada em torcida contrária. Segundo especialistas, o sucesso alheio pode ser sentido como uma agressão pessoal por quem tem a autoestima fragilizada, ativando o mecanismo de defesa para aliviar o desconforto.
A psicologia também usa o termo alemão schadenfreude para descrever o sentimento de prazer diante do infortúnio de outra pessoa. Este não é um traço de vilania, mas um sentimento humano comum, especialmente em pessoas com histórico de comparação social intensa. Do ponto de vista neurológico, ver alguém que consideramos "injusto" ou "arrogante" fracassar pode até liberar dopamina, o neurotransmissor do prazer, gerando um alívio temporário e uma falsa sensação de justiça.
Sim, sentir um lampejo passageiro de inveja ou desconforto é uma experiência humana comum. O problema surge quando esse sentimento se torna um padrão persistente, organizando a vida da pessoa em torno da torcida contra os outros, levando a ações como fofoca, sabotagem e isolamento social.
O primeiro passo é reconhecer o padrão sem se punir. Especialistas sugerem a autoanálise com a pergunta: "O que exatamente naquela pessoa ou em sua conquista me incomoda tanto?". A resposta geralmente revela mais sobre as próprias frustrações e desejos não realizados do que sobre o outro. Se o padrão for intenso e prejudicial, um acompanhamento com um psicólogo pode ajudar a entender e lidar com as dores que ativam esse mecanismo de defesa.
Desejar o mal aos outros é um comportamento complexo que, na maioria das vezes, funciona como um sinal de alerta para dores emocionais não resolvidas. Em vez de um indicativo de maldade, a psicologia o vê como um mecanismo de defesa contra sentimentos de inadequação, inveja e baixa autoestima. Entender a origem dessas reações é o primeiro passo para transformar um impulso destrutivo em uma oportunidade de autoconhecimento e crescimento pessoal.
Entenda a sabedoria do provérbio chinês que compara semear arroz, plantar árvores e educar pessoas para ensinar sobre planejamento de curto a longo prazo.
Tomás Ballesté García é o único morador de Solanell, uma vila nos Pirineus. Após um acidente, ele trocou a cidade pela solidão e encontrou a felicidade.
Descubra por que a necessidade de entender o propósito de uma tarefa não é complicação, mas um pilar da motivação humana, segundo a psicologia.
Uma nova legislação de bem-estar animal proíbe o uso de cães e gatos em atividades que causam sofrimento. Saiba o que muda e quais são as multas.