Após tratar um câncer de mama, Vanessa Schlemper foi recebida com festa por colegas em Navegantes (SC). Conheça sua história de superação e os desafios do retorno.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma funcionária da Havan em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, emocionou colegas e viralizou nas redes sociais ao retornar ao trabalho após quase três anos afastada para tratar um câncer de mama. Vanessa Schlemper, de 42 anos, foi recebida com uma homenagem surpresa, marcada por um corredor humano, cartazes e flores. Atualizado em 11 de setembro de 2026.
O retorno de Vanessa Schlemper à loja da Havan foi celebrado com uma festa organizada pelos colegas. O momento foi registrado e compartilhado pelo empresário Luciano Hang, destacando a força da colaboradora, conforme noticiado pelo Jornal nos Bairros. Visivelmente emocionada, Vanessa afirmou que o desejo de retomar sua rotina foi um combustível durante o tratamento.
"Eu sonhava todos os dias em voltar a trabalhar e voltar a ter a minha vida de volta", declarou ela, segundo o portal ND Mais. "Os valores que a rua passa para a gente, passou para mim, me fez também vencer. Porque todo dia que eu ia fazer a minha quimioterapia, eu lembrava: força, garra, determinação."
Diagnosticada com um tumor maligno na mama, Vanessa enfrentou um longo e desafiador tratamento de dois anos e oito meses. De acordo com o portal NSC Total, o processo incluiu 16 sessões de quimioterapia, 15 de radioterapia e quatro cirurgias. Durante esse período, ela encontrou na confeitaria uma fonte de renda e terapia.
Em uma das fases mais delicadas, antes de uma cirurgia, Vanessa vendeu "morango do amor" para ajudar a custear despesas do pós-operatório, como medicamentos. "Resumindo, eu fui pro hospital com 900 reais. E consegui pagar tudo que eu precisava", contou ao ND Mais. A atividade se tornou uma paixão e um símbolo de sua capacidade de se reinventar.
A história de Vanessa ilustra um desafio comum a muitos pacientes oncológicos. Segundo o Instituto Oncoguia, o retorno ao trabalho após o tratamento pode ser dificultado por efeitos colaterais como fadiga intensa, fraqueza muscular e questões emocionais, como ansiedade e depressão. O Dr. Bruno Batista, oncologista clínico, explica que os efeitos podem impactar o desempenho de certas funções.
A adaptação da jornada de trabalho é fundamental, mas nem sempre acontece. Um estudo publicado na revista "Cancer" revelou que apenas 29,1% das mulheres brasileiras com câncer de mama receberam ofertas de adaptação de seus empregadores. A flexibilidade e o apoio dos colegas, como no caso da Havan, são cruciais para uma reintegração bem-sucedida.
Para muitos sobreviventes, voltar a trabalhar é um sinal de normalidade e recuperação da identidade. Vanessa Schlemper descreveu o sentimento como "voltar a ser quem eu era, uma pessoa auto astral, uma pessoa útil", reforçando a importância da atividade profissional para a saúde mental e emocional.
De acordo com especialistas em direito previdenciário consultados pelo Instituto Oncoguia, a legislação brasileira não obriga as empresas a oferecerem adaptações de jornada. No entanto, o bom senso prevalece em muitos casos. A lei também não garante estabilidade no emprego, mas demissões podem ser contestadas na Justiça do Trabalho como discriminatórias, com decisões frequentemente favoráveis ao paciente.
A história de Vanessa Schlemper é um poderoso lembrete sobre resiliência, a importância do apoio coletivo e a força encontrada na vontade de viver. Seu retorno à Havan não apenas celebrou uma vitória pessoal contra o câncer, mas também destacou o papel fundamental de um ambiente de trabalho acolhedor na jornada de recuperação de um paciente.
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