Cansado do otimismo tóxico e do pessimismo paralisante? Entenda o conceito de 'realista esperançoso' de Ariano Suassuna e veja como aplicá-lo para manter a sanidade.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Diante de um fluxo interminável de notícias ruins e crises, uma reflexão do dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) oferece um caminho para preservar a sanidade e a motivação. A frase, que define uma terceira via entre a ingenuidade e o desespero, resume sua filosofia: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso”. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A sabedoria de Suassuna, popularizada em outra versão como “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”, propõe um equilíbrio pragmático. Conforme apontam diversas análises, essa visão de mundo se divide em três posturas distintas diante dos problemas.
É aquele que acredita que tudo se resolverá sozinho, ignorando a dureza da realidade. Essa postura, segundo Suassuna, leva a frustrações profundas, pois a pessoa se torna vulnerável ao ser surpreendida quando os problemas não desaparecem magicamente.
No extremo oposto, o pessimista só enxerga o lado negativo e desiste antes mesmo de tentar. Essa atitude gera estagnação e desmotiva qualquer ação, pois parte do princípio de que nada vale a pena.
O realista esperançoso, por sua vez, reconhece o tamanho do problema, analisa os fatos com clareza, mas não abre mão da esperança e da ação. É a atitude de quem encara a realidade de frente e, mesmo assim, continua procurando um caminho possível para construir algo melhor.
A filosofia de Suassuna não nasceu de uma vida fácil. Ele perdeu o pai ainda criança em um episódio de violência política no sertão, como recordam reportagens sobre sua vida. Mesmo assim, construiu uma obra marcada pelo humor, pela fé e pela valorização da cultura popular brasileira, fundando o Movimento Armorial. Peças como "O Auto da Compadecida" refletem essa visão: personagens que enfrentam a miséria e a injustiça com perspicácia e resiliência, recusando a derrota.
Em um cenário de pressão por resultados e incertezas, adotar o realismo esperançoso pode ser uma ferramenta prática. Em vez de negar uma dificuldade (otimismo ingênuo) ou paralisar diante dela (pessimismo), a abordagem propõe:
Existem duas versões amplamente difundidas e atribuídas a ele. Uma é: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso”. A outra, mais popular, é: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.
Em tempos de crises globais e polarização nas redes sociais, a ideia oferece um antídoto contra o otimismo tóxico e o niilismo paralisante. Ela valida o sentimento de dificuldade, mas incentiva a ação e a esperança, sendo uma ferramenta de resiliência mental.
Não. Embora frequentemente atribuída ao dramaturgo, a frase é de autoria do cantador pernambucano Oliveira de Panelas, como esclarecido em uma reportagem do Estadão sobre o legado de Suassuna.
Mais de uma década após sua morte, o pensamento de Ariano Suassuna continua a inspirar. Ser um realista esperançoso não é ignorar os espinhos da vida, mas aceitá-los enquanto se continua plantando flores. É uma lição de coragem, lucidez e, acima de tudo, uma aposta na capacidade humana de transformar a realidade.
Entenda a sabedoria do provérbio chinês que compara semear arroz, plantar árvores e educar pessoas para ensinar sobre planejamento de curto a longo prazo.
Tomás Ballesté García é o único morador de Solanell, uma vila nos Pirineus. Após um acidente, ele trocou a cidade pela solidão e encontrou a felicidade.
Descubra por que a necessidade de entender o propósito de uma tarefa não é complicação, mas um pilar da motivação humana, segundo a psicologia.
Uma nova legislação de bem-estar animal proíbe o uso de cães e gatos em atividades que causam sofrimento. Saiba o que muda e quais são as multas.