Estudo inédito revela que o sildenafil, princípio ativo do Viagra, dificulta a metástase ao sequestrar o colesterol de células cancerígenas. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Câncer · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Viagra (sildenafil), conhecido por seu uso no tratamento da disfunção erétil, pode ser um novo aliado no combate à metástase do câncer, segundo um estudo de pesquisadores dos Estados Unidos e Israel. A pesquisa, publicada na revista científica Cancer Research, revelou que o medicamento interfere no metabolismo do colesterol das células tumorais, enfraquecendo-as e reduzindo sua capacidade de se espalhar pelo corpo. Atualizado em 25 de julho de 2026.
A metástase, processo de disseminação do câncer para outros órgãos, é a fase mais letal da doença. De acordo com o estudo, as células cancerígenas dependem de colesterol para migrar e sobreviver em novos ambientes. O sildenafil, princípio ativo do Viagra, atua como uma armadilha para essas células.
O mecanismo funciona da seguinte forma: o fármaco inibe uma enzima chamada PDE5a, o que eleva os níveis da molécula cGMP. Em excesso, a cGMP se liga a um transportador e impede que o colesterol saia dos lisossomos — organelas responsáveis pela digestão celular. Com o colesterol "preso", ele não chega a áreas essenciais como a membrana plasmática ou as mitocôndrias, reduzindo drasticamente a capacidade de invasão da célula tumoral, conforme apontam as fontes.
Um dos pontos mais importantes da descoberta é o seu caráter seletivo. Os pesquisadores observaram que as células cancerígenas são mais sensíveis a essa interrupção no transporte de colesterol do que as células saudáveis. Enquanto as células sadias mantêm suas funções, as tumorais entram em colapso energético.
Os testes foram conduzidos em laboratório com camundongos para cânceres de mama, pulmão e cólon. Além disso, a equipe analisou registros de mais de 40 mil pacientes e descobriu que o uso de Viagra estava associado a uma maior sobrevida. O resultado foi ainda mais significativo quando combinado com estatinas (medicamentos para reduzir colesterol): pacientes que usaram a combinação tiveram uma redução de até 31% no risco de morte cinco anos após o diagnóstico.
A metástase é o processo em que células cancerígenas se desprendem do tumor original e viajam pela corrente sanguínea ou sistema linfático para formar novos tumores em outras partes do corpo. É a principal causa de mortes relacionadas ao câncer.
Não. Os pesquisadores, incluindo a autora principal Ayelet Erez, ressaltam que o estudo é observacional e clínico-experimental. Embora os resultados sejam promissores, são necessários ensaios clínicos em humanos para confirmar a eficácia e segurança antes que o medicamento possa ser recomendado como terapia complementar.
Segundo a pesquisadora Ayelet Erez, o Viagra foi escolhido por ser um medicamento amplamente conhecido e com um perfil de segurança já estabelecido, o que facilita a transposição das descobertas para testes em pacientes humanos.
A descoberta abre um caminho promissor para o reaproveitamento de drogas já existentes como uma estratégia de baixo custo para combater a metástase. Ao desarmar o metabolismo das células tumorais, o Viagra pode torná-las mais vulneráveis aos tratamentos convencionais. No entanto, os cientistas alertam que ninguém deve utilizar o medicamento para tratar ou prevenir o câncer sem orientação médica, pois ele ainda não faz parte dos protocolos oncológicos.