A neurocientista Lisa Mosconi revela a ligação entre a menopausa e o Alzheimer em mulheres, que pode começar aos 45 anos. Entenda os riscos e como se prevenir.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres, e a doença pode começar a se desenvolver silenciosamente por volta dos 45 anos, durante a perimenopausa. Atualizado em 12 de julho de 2026. A revelação, destacada em entrevista da neurocientista italiana Lisa Mosconi ao podcast do Fantástico, aponta para uma forte conexão entre as oscilações hormonais da menopausa e a saúde cognitiva feminina.
A principal razão para a maior incidência de Alzheimer em mulheres está ligada à queda drástica do estrogênio durante a perimenopausa e a menopausa, segundo pesquisas de Lisa Mosconi. Este hormônio é vital para o cérebro feminino, pois contribui para os níveis de energia, melhora o fluxo sanguíneo, possui ação antioxidante e anti-inflamatória e participa do funcionamento dos neurônios. Conforme explicado pela cientista, quando os níveis de estrogênio diminuem, o cérebro perde essa camada de proteção, tornando-se mais vulnerável a processos neurodegenerativos.
É fundamental diferenciar esquecimentos ocasionais de um quadro de Alzheimer. O neurocientista brasileiro Mychael Lourenço, ouvido pelo Fantástico, alerta que o principal sinal de um problema neurodegenerativo é quando a perda de memória interfere na rotina diária e piora progressivamente. Esquecer onde deixou as chaves é comum; esquecer para que as chaves servem é um sinal de alerta que merece investigação médica.
A boa notícia é que até 40% dos casos de demência poderiam ser prevenidos com mudanças no estilo de vida, especialmente na meia-idade. Lisa Mosconi e outros especialistas recomendam uma abordagem multifatorial para proteger a saúde cerebral:
É um termo popularizado por Lisa Mosconi para descrever os sintomas neurológicos que muitas mulheres vivenciam durante a transição da menopausa, como confusão mental, lapsos de memória, alterações de humor e dificuldade de concentração. Esses sintomas são uma consequência direta das alterações hormonais que impactam o cérebro.
Estudos recentes sugerem que a terapia hormonal, quando iniciada no momento certo (início da menopausa), não aumenta o risco de demência e é eficaz no tratamento de sintomas como ondas de calor, que por sua vez estão associados a biomarcadores de Alzheimer. Embora não seja uma cura ou prevenção garantida, ela é considerada uma ferramenta importante para a saúde cerebral na menopausa.
Sim. Já existem exames de sangue capazes de identificar marcadores e alterações iniciais relacionadas à doença de Alzheimer. Esses testes foram aprovados nos Estados Unidos e, segundo o neurocientista Mychael Lourenço, devem chegar ao Brasil nos próximos anos, representando um avanço significativo no diagnóstico precoce.
A pesquisa de Lisa Mosconi redefine a menopausa não apenas como uma transição reprodutiva, mas como um evento neurológico crítico. Compreender que o cérebro feminino passa por uma "reforma" nessa fase é o primeiro passo para adotar medidas proativas. As descobertas não devem ser motivo de medo, mas sim uma motivação para que as mulheres priorizem sua saúde cerebral através de um estilo de vida consciente e acompanhamento médico adequado.
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