Aprovado nos EUA, o olezarsen é uma injeção mensal que baixa os triglicérides e diminui o risco de inflamação no pâncreas. Saiba como funciona.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma nova caneta injetável de uso mensal, chamada olezarsen (Tryngolza), foi aprovada nos Estados Unidos para reduzir os níveis de triglicérides e, mais importante, diminuir o risco de pancreatite aguda em adultos. Atualizado em 26 de junho de 2026, o tratamento é destinado a pacientes com hipertrigliceridemia grave e funciona como um complemento à dieta e a outras mudanças no estilo de vida, segundo a agência regulatória americana FDA.
O olezarsen é uma terapia inovadora que atua diretamente no RNA. De forma simplificada, o medicamento impede a produção de uma proteína no fígado chamada apolipoproteína C-III (apoC-III), que está envolvida no metabolismo dos triglicérides. Ao bloquear essa proteína, o organismo consegue remover mais eficientemente as partículas de gordura da circulação sanguínea. A aplicação é subcutânea, realizada uma vez por mês com um autoinjetor, conforme detalhado em estudos.
A aprovação é específica para adultos com hipertrigliceridemia grave, condição definida por níveis de triglicérides em jejum iguais ou superiores a 500 mg/dL. O valor considerado normal é abaixo de 150 mg/dL. É crucial entender que o olezarsen não substitui outras medidas essenciais, como:
O tratamento deve ser indicado dentro de uma estratégia médica individualizada e não se destina a pessoas com elevações discretas de colesterol ou triglicérides.
Os estudos que basearam a aprovação, publicados no New England Journal of Medicine, mostraram resultados significativos. Em seis meses, o olezarsen reduziu os triglicérides em até 72% em comparação com o placebo. Mais notavelmente, o risco de pancreatite aguda foi 85% menor entre os participantes que receberam o medicamento. Entre os efeitos adversos relatados estão reações no local da aplicação, elevação de enzimas do fígado e queda de plaquetas. A FDA recomenda uma avaliação hepática antes de iniciar o tratamento.
Por enquanto, a aprovação do olezarsen é válida apenas nos Estados Unidos. Para que o medicamento esteja disponível no Brasil, ele ainda precisa passar pela avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além dos processos de registro e definição de preço. Até lá, a orientação para quem tem triglicérides muito altos é procurar atendimento médico e seguir as terapias já existentes.
Triglicerídeos são um tipo de gordura (lipídio) presente no sangue que serve como a principal forma de armazenamento de energia do corpo. Eles são produzidos a partir de calorias extras, principalmente de carboidratos e gorduras, e armazenados nas células de gordura.
Níveis muito altos de triglicerídeos, especialmente acima de 500 mg/dL, aumentam consideravelmente o risco de pancreatite, uma inflamação grave e dolorosa do pâncreas que pode levar à internação e até à morte. Além disso, a condição contribui para o endurecimento das artérias (aterosclerose), elevando o risco de doenças cardiovasculares como infarto e AVC.
O tratamento padrão combina mudanças no estilo de vida (dieta, exercícios, perda de peso e restrição de álcool) com medicamentos. As classes de remédios mais comuns incluem os fibratos (como ciprofibrato e fenofibrato) e as estatinas (como sinvastatina e rosuvastatina), que ajudam a controlar os níveis de gordura no sangue sob orientação médica.
A aprovação do olezarsen representa um avanço significativo no tratamento da hipertrigliceridemia grave, oferecendo uma terapia direcionada que não apenas melhora os resultados dos exames, mas também reduz o risco de uma complicação grave como a pancreatite. Enquanto se aguarda a chegada ao Brasil, o controle rigoroso da dieta e o acompanhamento médico continuam sendo as principais ferramentas para proteger a saúde.
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