Estudo da USP revela que fibras de pitanga e cambuci reduziram em até 90% a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório. Entenda os resultados preliminares e os próximos passos da pesquisa.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou que fibras extraídas das frutas nativas pitanga e cambuci podem combater células de câncer colorretal. Atualizado em 22 de junho de 2026, o estudo, conduzido em laboratório, mostrou que esses compostos reduziram a viabilidade das células tumorais em até 90%, segundo fontes como o Agro em Campo e A Lavoura.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados são preliminares e foram obtidos exclusivamente em culturas de células (in vitro). Portanto, ainda não há comprovação de que o consumo das frutas produza o mesmo efeito no organismo humano ou que possa prevenir ou tratar a doença.
A pesquisa, coordenada pelo professor João Paulo Fabi da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF-USP), faz parte das atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Alimentos (INCT FoRC). A equipe investigou as fibras solúveis presentes na polpa das duas frutas, que são substâncias capazes de se dissolver em água.
Para isolar o efeito das fibras, os cientistas removeram outros compostos com potencial biológico, como os fenólicos e carotenoides, antes de realizar os testes. As células de câncer colorretal foram expostas a três concentrações diferentes das fibras (0,1%, 0,25% e 0,5%) e avaliadas após 24, 48 e 72 horas, conforme detalhado em publicação do portal A Lavoura.
Os testes revelaram um potencial significativo das fibras de ambas as frutas, embora com efeitos distintos. Os resultados foram considerados estatisticamente significativos pelos pesquisadores.
As fibras de pitanga apresentaram uma redução na viabilidade das células cancerígenas entre 20% e 90%. O estudo observou uma relação direta: quanto maior a concentração das fibras e o tempo de exposição, maior foi a redução na viabilidade celular.
No caso do cambuci, a redução na viabilidade das células tumorais variou de 20% a 60%. Embora também tenha mostrado um efeito positivo, não foi observada a mesma correlação direta entre dose, tempo e resposta que a pitanga demonstrou, de acordo com o portal SpaceMoney.
Um ponto importante do estudo foi a comparação com pectinas cítricas, um tipo comum de fibra. Nas mesmas condições, as pectinas cítricas não reduziram a viabilidade das células, o que reforça que as características específicas das fibras da pitanga e do cambuci são cruciais para a atividade biológica observada.
Apesar dos resultados promissores, a equipe de pesquisa ainda precisa entender os mecanismos por trás dessa redução. As duas principais hipóteses são:
Outra frente de investigação será a interação dessas fibras com a microbiota intestinal. O objetivo é compreender como as bactérias do intestino fermentam essas fibras e como sua estrutura influencia esse processo. A próxima fase prevê o avanço para estudos pré-clínicos, que podem levar de dois a três anos para serem aprofundados.
Não. A pesquisa é preliminar e foi realizada apenas em células de laboratório. Não há nenhuma evidência científica de que comer pitanga ou cambuci possa curar, tratar ou prevenir o câncer em seres humanos. Os próprios pesquisadores alertam contra essa interpretação.
O estudo focou especificamente nas fibras solúveis extraídas da polpa das frutas. A análise identificou que a pitanga possui uma mistura de pectinas e hemiceluloses, enquanto no cambuci predominam as pectinas.
Sim. Uma pesquisa anterior desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Universidade da Carolina do Norte (EUA) já havia identificado que a pitanga roxa, em particular, era capaz de inibir e até matar células causadoras do câncer de cólon em testes laboratoriais.
O estudo da USP abre um caminho promissor para a valorização da biodiversidade brasileira e o desenvolvimento de novos ingredientes alimentícios. As fibras de pitanga e cambuci demonstraram um notável potencial para combater células de câncer colorretal em laboratório, mas a ciência ainda está nos estágios iniciais. Novas pesquisas são fundamentais para confirmar esses efeitos e entender se eles podem, um dia, ser aplicados à saúde humana.
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