Estudo brasileiro revela que treinos de força podem reverter o enrijecimento do coração em mulheres acima de 60 anos, além de melhorar colesterol e glicemia. Entenda os benefícios.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A prática regular de musculação pode não apenas frear, mas reverter os sinais de envelhecimento do coração em mulheres com mais de 60 anos. Esta é a conclusão de um estudo brasileiro da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ganhou destaque na revista científica Medicine & Science in Sports & Exercise. Atualizado em 3 de julho de 2026.
Pesquisadores do Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício (Gepemene) acompanharam 64 mulheres na pós-menopausa, com idade média de 71 anos, durante um período de dois anos. As participantes foram divididas em dois grupos:
Ambos os grupos tiveram a alimentação controlada para garantir a ingestão de ao menos 1,5 grama de proteína por dia, segundo informações da Folha de S.Paulo. Mulheres com doenças crônicas controladas, como hipertensão e diabetes, também participaram.
O principal indicador de envelhecimento cardíaco avaliado foi o índice de massa do ventrículo esquerdo. Após dois anos, o grupo que não se exercitou apresentou um aumento de 11% neste índice, sinalizando um enrijecimento do coração. Em contrapartida, o grupo que praticou musculação registrou uma redução de 5,5%, revertendo o processo.
Os benefícios dos treinos de força foram além da saúde cardíaca, conforme apurado por diversas fontes:
O cardiologista Ricardo Rodrigues, um dos autores do estudo, explica que o envelhecimento, somado a fatores como obesidade e hipertensão, faz com que as células musculares do coração sejam substituídas por fibrose (tecido cicatricial). Isso enrijece o órgão e prejudica sua capacidade de relaxar para receber sangue (função diastólica), o que pode causar falta de ar e levar à insuficiência cardíaca.
A musculação atua de forma preventiva ao controlar a pressão arterial, diminuir a gordura abdominal e melhorar a função muscular, o que gera um efeito anti-inflamatório e reduz as moléculas que aceleram o envelhecimento do coração.
Embora exercícios aeróbicos sejam tradicionalmente recomendados, este estudo da UEL demonstra que a musculação é uma ferramenta poderosa e essencial para melhorar a estrutura e a função do coração, revertendo sinais de envelhecimento como o enrijecimento do músculo cardíaco.
No estudo, um protocolo de três sessões semanais em dias não consecutivos foi suficiente para gerar resultados significativos na saúde cardiovascular das participantes. O programa incluiu oito exercícios para o corpo todo, com três séries de 8 a 12 repetições.
A pesquisa reforça o papel da musculação como uma intervenção acessível e de baixo custo, não apenas para ganho de força e prevenção de quedas, mas como uma estratégia fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares e para a manutenção de um coração saudável durante o envelhecimento.
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