Missão conjunta da ESA e JAXA entra em nova fase de testes para encontrar o asteroide Apophis em 2029. Saiba o que significa a ativação e os próximos passos.
Olyvio Marques
Editor · Espaço · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A nave de defesa planetária Ramses foi ativada pela primeira vez em setembro de 2026, um marco crucial para a missão que irá estudar o asteroide Apophis durante sua passagem histórica pela Terra. Atualizado em 7 de outubro de 2026, o evento ocorreu em uma sala limpa em Milão, na Itália, e representa um passo decisivo na corrida contra o tempo para o lançamento previsto para 2028.
A ativação não significa que a nave foi lançada, mas sim que seus sistemas eletrônicos centrais foram ligados e testados de forma integrada pela primeira vez em solo. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), o computador de bordo e vários subsistemas já instalados no módulo central receberam energia e puderam funcionar juntos, conforme relatado por fontes como O Antagonista e Gizmodo Brasil. Antes deste teste, os componentes haviam sido verificados apenas individualmente. Essa etapa, realizada na instalação da OHB Italia, permite que os engenheiros enviem comandos e confirmem que os sistemas de memória, energia e comunicação respondem como o esperado.
A missão Ramses, uma cooperação entre a ESA e a agência espacial japonesa JAXA, foi projetada para encontrar e "escoltar" o asteroide Apophis antes, durante e depois de sua aproximação com a Terra em 13 de abril de 2029. O objetivo não é desviar o asteroide, pois ele não está em rota de colisão, mas sim estudar os efeitos da gravidade terrestre sobre um corpo de aproximadamente 375 metros de diâmetro. A nave observará mudanças em sua:
Nesse dia, Apophis passará a cerca de 32 mil quilômetros da superfície, mais perto do que muitos satélites em órbita geoestacionária, e será visível a olho nu em partes da Europa e da África.
O calendário da Ramses é extremamente apertado, pois a data do encontro com Apophis não pode ser adiada. Para economizar tempo, a nave está sendo construída em paralelo: o módulo central na Itália e o módulo de propulsão na Alemanha. As duas partes serão unidas nos Países Baixos para uma fase de testes rigorosos antes do voo.
Não. A missão não foi projetada para desviar o Apophis. Cálculos confirmam que o asteroide não representa risco de colisão com a Terra por pelo menos 100 anos. A Ramses é uma missão científica para observar e coletar dados, funcionando como um treino para futuras ameaças reais.
A passagem de um asteroide tão grande (cerca de 375 metros) a uma distância tão curta (aproximadamente 32 mil km) é um evento raro, que ocorre apenas uma vez a cada poucos milhares de anos. Isso oferece uma oportunidade única para estudar como a gravidade de um planeta afeta um corpo celeste em tempo real.
Após a união dos módulos, a nave completa passará por uma série de testes que simulam as condições do lançamento e do ambiente espacial. Isso inclui um exigente ensaio de vácuo térmico, onde a espaçonave funcionará por semanas em condições semelhantes às do espaço, garantindo que tudo esteja pronto para a viagem.
A primeira ativação da nave Ramses é um marco fundamental que move o projeto de planos teóricos para a realidade do hardware integrado. A missão representa um passo importante na defesa planetária, não por desviar uma ameaça, mas por preparar a humanidade com conhecimento crucial para quando uma ameaça real surgir, aproveitando a oportunidade científica sem precedentes oferecida pelo asteroide Apophis em 2029.
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