Fósseis revelam o Gerrothorax maritimus, espécie pré-histórica que seria a única a viver permanentemente no mar. Entenda como sua 'armadura' permitia isso.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma descoberta na China revelou fósseis de uma nova espécie de anfíbio de 237 milhões de anos, batizada de Gerrothorax maritimus, que pode ter sido a primeira e única a viver exclusivamente no mar. Atualizado em 29 de outubro de 2026. A descoberta, detalhada na revista Nature Ecology & Evolution, desafia o conhecimento atual, já que nenhum anfíbio moderno consegue sobreviver permanentemente em água salgada.
Dois esqueletos quase completos do Gerrothorax maritimus foram encontrados por fazendeiros na província de Guizhou, no sul da China, em rochas do período Triássico Superior. Conforme os estudos, o animal possuía um corpo achatado, com cerca de 1 metro de comprimento, e era coberto por uma espécie de armadura óssea.
Essa estrutura rígida é uma das principais adaptações que o diferenciavam dos anfíbios atuais. Acredita-se que ele vivia no fundo do oceano, camuflado nos sedimentos, e se alimentava por sucção, de forma semelhante aos modernos tubarões-tapete, sugando presas com sua boca grande, segundo a CNN Brasil.
A capacidade de viver no mar é o que torna esta espécie excepcional. Anfíbios modernos, como sapos e salamandras, possuem pele permeável para absorver água e realizar trocas gasosas, o que os levaria à desidratação em ambientes salinos. O Gerrothorax maritimus, no entanto, desenvolveu adaptações cruciais.
A principal adaptação era seu corpo coberto por placas ósseas rígidas. Essa "armadura" funcionava como uma barreira, impedindo que a água do seu corpo fosse "sugada" pela água mais salgada do oceano, um processo que desidrataria qualquer anfíbio moderno. Isso o obrigava a consumir água pelo trato digestivo, como os peixes marinhos, de acordo com informações do G1.
Como sua pele não era permeável, os pesquisadores acreditam que o anfíbio possuía brânquias para respirar, uma característica perdida na evolução das espécies atuais. O sistema de brânquias também poderia ajudar a eliminar o excesso de sal do organismo, uma função vital para a sobrevivência em ambiente marinho.
Para confirmar que o Gerrothorax maritimus vivia de fato no oceano e não foi apenas arrastado para lá após a morte, os cientistas se basearam em múltiplas evidências.
Os anfíbios modernos possuem uma pele macia e permeável, essencial para respirar e absorver água doce. Em água salgada, essa mesma característica causa uma rápida perda de água do corpo para o ambiente externo, levando à desidratação e morte.
Estima-se que o Gerrothorax maritimus atingia cerca de 1 metro de comprimento. Seu corpo era robusto e achatado, comparável em massa a uma salamandra-gigante moderna, porém com um formato mais discoide.
Os dois fósseis foram descobertos na província de Guizhou, no sul da China, em uma camada de rocha datada de aproximadamente 237 milhões de anos, correspondente ao período Triássico Superior.
A descoberta do Gerrothorax maritimus representa um marco na paleontologia, revelando uma linhagem de anfíbios que conquistou o ambiente marinho de uma forma que se acreditava impossível. Suas adaptações únicas, como a armadura óssea, oferecem novas perspectivas sobre a diversidade e a capacidade evolutiva da vida na Terra durante o período Triássico.
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