Pedra usada por anos como suporte na República Tcheca era um molde de 3.000 anos para pontas de lança. Entenda a importância do achado arqueológico.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma pedra que por anos serviu como suporte para um celeiro na vila de Morkůvky, República Tcheca, revelou ser um artefato pré-histórico de valor inestimável: metade de um molde de fundição para pontas de lança de bronze, com mais de 3.000 anos. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A descoberta, detalhada em um estudo na revista científica Archeologické rozhledy, mostra como objetos cruciais para a tecnologia e guerra da Idade do Bronze podem permanecer ocultos em contextos cotidianos, segundo fontes como a Revista Galileu e O Antagonista.
A história do artefato começou em 2007, quando o proprietário do terreno, identificado como J. Tomanec, encontrou a laje de pedra cinza saliente no solo de seu jardim, onde sustentava um antigo celeiro. Intrigado por suas características incomuns, ele doou a peça ao Museu da Morávia em 2019, conforme relatado pelo site Aventuras na História.
Foi no museu que o arqueólogo Milan Salaš liderou a análise que confirmou a verdadeira identidade do objeto. O que parecia ser um simples bloco de construção era, na verdade, uma matriz de fundição datada de aproximadamente 1350 a.C., período correspondente à Idade do Bronze Final.
O artefato de quase 23 centímetros é metade de um molde de duas partes, esculpido em tufo riolítico, uma rocha vulcânica resistente a altas temperaturas. O processo de fabricação de armas era sofisticado para a época:
Análises microscópicas revelaram marcas de desgaste e estresse térmico intenso, indicando que o molde foi usado repetidamente para produzir dezenas de pontas de lança em série, um sinal de produção organizada, de acordo com o Olhar Digital.
Um dos aspectos mais surpreendentes da descoberta é a origem da matéria-prima. Análises geológicas conduzidas por Antonín Přichystal, da Universidade Masaryk, determinaram que o tufo riolítico não é local. A rocha é compatível com formações geológicas encontradas nos Cárpatos setentrionais, especificamente nas montanhas Bükk, no norte da Hungria, a centenas de quilômetros de distância.
Essa evidência comprova a existência de redes de comércio e transporte de longa distância na Europa pré-histórica. Em vez de apenas comercializar armas prontas, as comunidades da época também trocavam as ferramentas para produzi-las, como aponta a Super Rádio Tupi. Os pesquisadores associam o artefato à cultura dos Campos de Urnas (Urnfield), que se expandiu pela Europa Central naquele período.
O molde data de aproximadamente 1350 a.C., durante a Idade do Bronze Final, o que o torna um artefato com mais de 3.000 anos de idade.
Pesquisadores associam o molde à cultura dos Campos de Urnas (Urnfield), conhecida por suas práticas funerárias de cremação e por sua expansão pela Europa Central a partir de meados do segundo milênio a.C.
A descoberta é crucial por revelar a sofisticação tecnológica, a produção de armas em série e a existência de redes de comércio de longa distância na Europa pré-histórica, conectando regiões que hoje são a República Tcheca, Hungria e Eslováquia.
A pedra do celeiro de Morkůvky é um exemplo notável de como a história pode estar escondida à vista de todos. O artefato não apenas oferece uma visão direta sobre a metalurgia e a fabricação de armas na pré-história, mas também reescreve parte do que se sabia sobre as complexas redes de troca e conhecimento que conectavam as sociedades da Idade do Bronze na Europa Central.
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