Cerca de 600 jumentos no Parque Nacional de Jericoacoara são monitorados por ICMBio e UNINTA. Entenda os riscos e a polêmica sobre a castração.
Olyvio Marques
Editor · Ceará · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma população de pelo menos 600 jumentos vivendo livremente no Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará, está no centro de um novo plano de manejo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Atualizado em 13 de outubro de 2026, o projeto, realizado em parceria com o Centro Universitário Inta (UNINTA), visa monitorar os animais e cogita a castração de machos como forma de controlar a reprodução e mitigar possíveis impactos ambientais e sanitários.
Os jumentos presentes no parque são considerados uma espécie exótica, fruto do abandono por antigos proprietários ao longo dos anos, segundo o professor Bruno Marques Teixeira, do UNINTA. Por serem animais domésticos errantes, eles não recebem cuidados veterinários como vacinação e vermifugação, o que desperta preocupação das autoridades por dois motivos principais:
Para lidar com a situação de forma responsável, o ICMBio e o UNINTA firmaram um acordo de cooperação com vigência de cinco anos. A parceria visa produzir conhecimento científico para basear futuras decisões de manejo, conforme publicado no Diário Oficial da União. As ações incluem:
A possibilidade de castrar os machos é a medida mais controversa do plano. O ICMBio argumenta que a esterilização ajudaria a controlar a população de forma gradual e humanitária, minimizando também conflitos como atropelamentos nas vias que cortam o parque. Em uma ação inicial, três jumentos já foram castrados por equipes do HOVET-UNINTA.
No entanto, a estratégia é criticada por especialistas. Débora Façanha, professora da UFC e especialista em conservação do jumento nordestino, considera a medida "muito arriscada". Ela lembra que, embora sejam exóticos no parque, os jumentos estão sob ameaça de extinção no Brasil, com uma redução populacional de 94% em quatro décadas, segundo a ONG The Donkey Sanctuary. A questão levanta um debate complexo sobre como equilibrar a proteção de um ecossistema e a conservação de uma espécie culturalmente simbólica, mas em declínio.
A estimativa mais recente, realizada por pesquisadores do UNINTA, aponta para uma população de pelo menos 600 jumentos vivendo livremente na unidade de conservação.
Sim, este é um dos principais riscos. A parceria entre ICMBio e UNINTA investiga se os animais são portadores de zoonoses (doenças transmissíveis a humanos) como raiva, leishmaniose e Febre do Nilo Ocidental, devido ao contato com outros animais na Vila de Jericoacoara.
A polêmica existe porque, ao mesmo tempo em que são uma espécie exótica no parque, os jumentos estão ameaçados de extinção no Brasil. Especialistas argumentam que a castração poderia prejudicar ainda mais uma população que já sofre um declínio acentuado em todo o país.
O manejo dos jumentos em Jericoacoara representa um desafio complexo que une conservação da biodiversidade, saúde pública e bem-estar animal. A parceria entre ICMBio e UNINTA busca coletar dados científicos para embasar um plano de manejo sustentável, mas a proposta de castração evidencia o delicado equilíbrio entre controlar uma espécie exótica em uma área protegida e preservar um animal que corre risco de desaparecer do cenário brasileiro.
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