Com superlotação, queda nas doações e custos crescentes, protetores de animais em todo o país enfrentam uma crise sem precedentes. Saiba como ajudar.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Abrigos de animais em diversas partes do Brasil estão emitindo apelos urgentes por ajuda. Com superlotação, queda no número de doações e aumento nos custos de manutenção, muitos protetores relatam não ter mais condições de resgatar novos animais ou de sustentar os que já estão sob seus cuidados. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A situação é crítica em várias cidades. Em Bragança Paulista, a Associação de Proteção aos Animais Faros D’Ajuda, que tem capacidade para cerca de 400 animais, já abriga mais de 600 cães e gatos. "Nós não temos mais onde colocar esses animais", afirmou a presidente da organização, Marcia Davanso, em um apelo recente. Segundo ela, o número de resgates, principalmente de filhotes, aumentou "assustadoramente" nos últimos meses.
O cenário se repete em Belo Horizonte, onde Viviane Barbosa, do Abrigo Balaio de Gato, cuida de cerca de 200 gatos e 30 cachorros. Ela relata que a situação se complicou após o período mais agudo da pandemia, com a diminuição de doadores e o aumento de devoluções de animais que haviam sido adotados. "Não estamos resgatando, a não ser em caso de morte", desabafa.
O impacto da crise não é apenas logístico, mas também financeiro e emocional para os responsáveis pelos abrigos. "Tem muito protetor passando fome junto com os bichos", diz Viviane Barbosa, do abrigo em Belo Horizonte. A alta no preço da ração e a diminuição das contribuições tornam a manutenção dos espaços uma luta diária.
Em Campo Grande, a ONG Divinos Guerreiros, que cuida de 400 animais, precisa de cerca de 900 quilos de ração para cães e 700 quilos para gatos todos os meses, além de despesas veterinárias que podem chegar a R$ 6 mil mensais. No Recife, o Projeto Amor Sem Fronteiras chegou a ter a água cortada por falta de pagamento, como relatou a fundadora Laila Cavalcanti.
Diante da emergência, os protetores reforçam que qualquer tipo de ajuda é fundamental para a sobrevivência dos abrigos e o bem-estar dos animais. As principais formas de colaborar são:
Contribuições financeiras, mesmo que de pequeno valor, são essenciais. Muitos abrigos, como o Amor Sem Fronteiras, aceitam doações via Pix ou plataformas de apoio mensal. Outra forma de ajuda é o apadrinhamento, no qual a pessoa contribui com um valor mensal para um animal específico, recebendo fotos e notícias dele.
A adoção continua sendo o objetivo principal. Abrigos como o Faros D’Ajuda mantêm campanhas permanentes para encontrar lares para cães e gatos, adultos e filhotes. Adotar um animal não só salva uma vida, mas também abre espaço para que outro possa ser resgatado.
Além de dinheiro, os abrigos necessitam constantemente de ração, medicamentos, produtos de limpeza (vassouras, rodos, água sanitária), jornais, papelão e itens como casinhas e cobertores.
A superlotação é resultado de uma combinação de fatores, incluindo o aumento do abandono de animais, a diminuição do ritmo de adoções, a queda nas doações que financiam castrações e a devolução de pets adotados durante a pandemia.
Você pode ajudar doando suprimentos essenciais como ração e produtos de limpeza, oferecendo-se como voluntário para tarefas no abrigo, apadrinhando um animal com uma contribuição mensal ou, principalmente, através da adoção responsável.
A crise enfrentada pelos abrigos de animais no Brasil é um problema coletivo que exige uma resposta da sociedade. O apelo dos protetores é um sinal de que o sistema está no limite. Adoção, doações e apadrinhamento são ações diretas que podem garantir que centenas de animais continuem recebendo cuidado e tenham uma chance de encontrar um lar definitivo.
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