Projeto prevê pavimentação do 'trecho do meio', na Amazônia, com mais de 170 passagens para fauna e uma área de controle ambiental de 40 mil km².
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O governo federal anunciou um plano de R$ 1,5 bilhão para a reconstrução da BR-319, rodovia de 885 km que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e é conhecida como uma das mais perigosas do Brasil. O projeto ambicioso foca em transformar a estrada em um modelo de sustentabilidade, com forte aparato de proteção ambiental no coração da Amazônia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (26) que a obra "vai ser feita com o maior cuidado ambiental de qualquer estrada já feita em qualquer país do mundo", classificando-a como uma "estrada modelo de qualidade e preservação ambiental".
A fama de "rodovia mais temida" da BR-319, oficialmente Rodovia Álvaro Maia, vem de suas condições extremas. Durante o inverno amazônico, o período de chuvas, a estrada se transforma em um atoleiro, prendendo veículos por dias. Na seca, a lama dá lugar a uma poeira intensa que reduz a visibilidade, enquanto buracos e pontes de madeira precárias representam armadilhas constantes.
O investimento inicial de quase R$ 1,5 bilhão será concentrado no chamado "trecho do meio", um segmento de aproximadamente 405 quilômetros de estrada de barro, sem pavimentação. A obra, com prazo de execução estimado em quatro anos, não terá cobrança de pedágio.
O plano de sustentabilidade inclui:
A reconstrução da BR-319 é debatida há décadas, opondo a necessidade de desenvolvimento e integração da região a preocupações ambientais. Ambientalistas temem que a pavimentação acelere o desmatamento, a grilagem de terras e a extração ilegal de madeira, em um fenômeno conhecido como "espinha de peixe".
Para mitigar os riscos, o governo propõe a criação de novas unidades de conservação e a regularização fundiária de mais de 20 mil propriedades. Em consulta pública realizada pelo ICMBio, o povo Mura se declarou favorável à criação das reservas para ajudar na preservação do território.
ICMBio, órgão do Governo Federal, aguarda relatório detalhado da concessionária para avaliar as medidas administrativas cabíveis contra o visitante.
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