Casos de cães resgatados em BRs, como na BR-101 e MT-325, revelam o perigo do abandono. Saiba como a ação de policiais e voluntários salva vidas e o que diz a lei.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cena de um cachorro desorientado no acostamento de uma rodovia movimentada é um retrato perigoso e recorrente no Brasil. Casos recentes, de Santa Catarina ao Mato Grosso, expõem não apenas a crueldade do abandono de animais, mas também a mobilização de policiais, voluntários e cidadãos comuns para realizar resgates complexos e salvar vidas. Atualizado em 10 de julho de 2026.
O resgate de um cachorro em uma rodovia é uma operação de alto risco, envolvendo o pânico do animal e o tráfego intenso de veículos. Em Santa Catarina, uma cadela da raça labrador foi encontrada na BR-101, transitando entre as pistas e correndo perigo iminente de atropelamento. A Polícia Militar precisou intervir diretamente na pista para conter o animal com segurança, que já estava ferido e debilitado, conforme noticiado pelo portal RBA TV.
Em outro caso no mesmo estado, uma cadela apelidada de Luna mobilizou voluntários e protetores de animais ao ser vista correndo apavorada pela rodovia. Segundo o portal UAI, o animal demonstrava estresse extremo e fugia de qualquer tentativa de aproximação, o que exigiu uma estratégia cuidadosa para garantir a segurança de todos os envolvidos.
A frieza do abandono se torna ainda mais evidente em situações que envolvem ninhadas inteiras. Em Juara (MT), uma cadela e seus seis filhotes foram deixados propositalmente às margens da rodovia MT-325. A Rádio Tucunaré reportou que os animais foram encontrados por um produtor rural, que acionou a Patrulha Rural da Polícia Militar. A equipe policial recolheu a família, que foi entregue aos cuidados de uma associação de proteção animal local.
Esses atos não só colocam os animais em extrema vulnerabilidade, expostos à fome e aos perigos do trânsito, mas também representam um grave problema de segurança viária e saúde pública.
Apesar da gravidade dos casos, a resposta rápida de autoridades e da sociedade civil tem sido fundamental. A atuação da Polícia Militar nos resgates na BR-101 e na MT-325 demonstra o papel crucial das forças de segurança nessas ocorrências. Além disso, a mobilização de ONGs e voluntários, como no caso de Luna, é essencial para monitorar, resgatar e reabilitar animais traumatizados.
Após o resgate, o trabalho continua com cuidados veterinários e a busca por um novo lar. Em um caso no Recife, uma cadela amarrada na frente de uma academia foi acolhida e, graças a uma campanha nas redes sociais, rapidamente adotada, como informou o Diário de Pernambuco.
A prioridade é a segurança. Especialistas recomendam não realizar perseguições diretas, que podem assustar o animal e empurrá-lo para a pista. O ideal é reduzir a velocidade, sinalizar o local se possível e acionar imediatamente a polícia rodoviária, a concessionária da via ou ONGs de proteção animal da região, que possuem treinamento para esse tipo de resgate.
Sim, o abandono de animais é crime ambiental, previsto na Lei 9.605/98. A pena para quem comete o delito contra cães e gatos foi endurecida e pode resultar em detenção de dois a cinco anos, além de multa e a proibição da guarda de outros animais, segundo a legislação vigente.
Os resgates de cães em rodovias brasileiras são um lembrete constante da responsabilidade que a sociedade tem com os animais. Embora as ações de policiais e voluntários sejam admiráveis, elas tratam o sintoma de um problema maior: o abandono. A conscientização sobre a posse responsável e a denúncia de maus-tratos são as ferramentas mais eficazes para evitar que novas histórias de perigo e crueldade se repitam nas estradas.
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