Formado em desenho industrial, Augusto Espíndola trocou um salário de R$ 15 mil pela vida nas ruas. Saiba como é o experimento social que vai virar livro.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O designer Augusto Espíndola, de 42 anos, trocou uma carreira bem-sucedida, com salários que chegavam a R$ 15 mil, por uma vida nas ruas. A decisão faz parte de um experimento social que deve durar cinco anos e tem como objetivo final a criação de um livro, uma série documental e uma plataforma de assistência social. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Formado em desenho industrial pela PUC-PR, Espíndola vivia em um apartamento da mãe em Curitiba e atuava como designer gráfico, produtor de vídeo e desenvolvedor de sistemas. Segundo ele, a decisão de iniciar o projeto foi impulsionada por eventos traumáticos, como uma grave infecção em 2016 e uma depressão em 2019, que o levaram a reavaliar suas prioridades e a sentir uma profunda insatisfação profissional.
A ideia surgiu durante uma sessão de terapia, ao lembrar de uma amiga que tinha como maior medo morar na rua. "E se não for a pior coisa que existe? E se não for tão ruim? Aquilo começou a gerar um monte de outras perguntas. Foi daí que nasceu o projeto", relatou Espíndola à Folha de S.Paulo.
Antes de iniciar sua jornada em outubro de 2024, Augusto passou quase um ano se preparando. Ele conversou com pessoas em situação de rua, realizou saídas curtas e fez um projeto piloto em São José dos Pinhais (PR) para testar sua capacidade de adaptação. A experiência, que começou em Santos (SP), já passou por cidades de cinco estados e é documentada em seu perfil no Instagram, @oaugustoespindola, onde acumula cerca de 30 mil seguidores.
O nome Augusto Espíndola foi adotado por ele, que pretende oficializá-lo em substituição ao seu nome de batismo, César Augusto Camargo Schrega. O cabelo descolorido também faz parte da identidade visual criada para o projeto nas redes sociais.
Para se manter, Espíndola adota as mesmas estratégias de sobrevivência que observa nas ruas. Ele já vendeu balas, trabalhou com reciclagem coletando latinhas e descarregou caminhões. A primeira compra que fez com o dinheiro da reciclagem foi um livro, como reportado pelo Metrópoles.
Ele estabeleceu regras para garantir a autenticidade da experiência, como evitar dormir em albergues. "Se eu começasse recebendo dinheiro desde o primeiro dia, a experiência deixaria de ser a mesma", explicou, mencionando que demorou quase um ano para adicionar uma chave Pix em seu perfil.
Augusto Espíndola, 42 anos, é um designer industrial formado pela PUC-PR. Ele deixou uma carreira estável para viver voluntariamente nas ruas por cinco anos como parte de um experimento social que será transformado em livro e outros projetos.
A decisão foi motivada por uma série de crises pessoais, incluindo uma grave doença em 2016 e uma depressão em 2019. Esses eventos o levaram a questionar seu propósito de vida e a buscar um projeto com maior impacto social.
Ele sobrevive com atividades comuns a pessoas em situação de rua, como a venda de balas, a coleta de materiais recicláveis e trabalhos esporádicos, como descarregar caminhões. Ele evita ajudas que possam alterar a dinâmica do experimento.
Ao final dos cinco anos, ele planeja transformar a experiência em um livro, uma série documental e uma plataforma digital voltada para a assistência social, com o intuito de deixar um legado e promover mudanças.
A jornada de Augusto Espíndola é um mergulho profundo e planejado em uma realidade muitas vezes invisível. Ao trocar o conforto por uma experiência imersiva nas ruas, o designer busca não apenas respostas pessoais, mas também construir uma narrativa que possa gerar empatia e soluções práticas para a população em situação de rua no Brasil.
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