Conheça a história de Dyakalo Farato Matipu, que deixou o Alto Xingu, superou fome e preconceito para se formar técnico de enfermagem e ser aprovado em medicina.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A jornada de Dyakalo Farato Matipu, da etnia Matipu, tornou-se um símbolo de resiliência ao deixar sua aldeia no Alto Xingu, em Mato Grosso, para perseguir o sonho de atuar na área da saúde. Aos 34 anos, após superar barreiras como o idioma português, fome e preconceito, ele não apenas se formou técnico em enfermagem, mas também conquistou o 1º lugar no vestibular de medicina. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Nascido na Aldeia Kuikuro e criado na Aldeia Buritizal, Farato, como prefere ser chamado, só começou a estudar aos 10 anos, sem conhecer nenhuma letra. Sua trajetória educacional foi interrompida quando sua família se mudou para uma aldeia onde não se ensinava português, apenas a língua-mãe. Determinado, ele aprendeu a ler sozinho, usando jornais e revistas descartados e um dicionário que ganhou de primos, como relatado ao G1.
Em 2013, Farato mudou-se para a cidade de Canarana (MT) para estudar. A decisão exigiu convencer seu pai, presenteando-o com um motor de barco, um sonho antigo da família. Na cidade, enfrentou dificuldades extremas. Com uma renda de R$ 600, trabalhou como servente de pedreiro, diarista e em fazendas para sobreviver. "Meu café da manhã era água, meu almoço era água, minha janta era água", desabafou em entrevista. Além da fome, sofreu preconceito de colegas e até de professores, mas manteve-se firme em seu propósito.
A paixão pela saúde surgiu aos 13 anos, ao observar os monitores de saúde indígenas. Em 1997, tornou-se agente de saúde. O desejo de avançar nos estudos se intensificou em 2015, quando viu sua comunidade ficar sem assistência médica. Ele se matriculou no curso técnico de enfermagem e concluiu a formação em dezembro de 2018. Pouco depois, foi aprovado em primeiro lugar para Ciências da Matemática na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O grande sonho, no entanto, foi realizado ao passar também em 1º lugar para Medicina em um vestibular da Universidade Brasil, realizado em sua própria aldeia. "Prometi para mim mesmo que um dia eu faria medicina para ajudar meu povo", afirmou.
Dyakalo Farato Matipu é um indígena da etnia Matipu, originário do Alto Xingu (MT). Ele ficou conhecido por sua história de superação ao sair da aldeia, formar-se técnico de enfermagem e ser aprovado em 1º lugar no vestibular de medicina.
Ele enfrentou a barreira do idioma para se alfabetizar em português, dificuldades financeiras extremas, chegando a passar fome, e forte preconceito por sua origem indígena, tanto na escola quanto no trabalho.
Após se formar como técnico em enfermagem, Farato foi aprovado em 1º lugar no curso de Ciências da Matemática na UFMT e, em seguida, também em 1º lugar para o curso de Medicina pela Universidade Brasil.
A trajetória de Dyakalo Farato Matipu é uma poderosa lição de coragem e perseverança. Sua determinação em superar a fome, o preconceito e as barreiras educacionais para cuidar de seu povo inspira não apenas as comunidades indígenas, mas todos que enfrentam adversidades na busca por seus sonhos. Como ele mesmo aconselha: "Se você quer ser alguém na vida, você tem que ter coragem, confiança. A vida dá voltas. Seja forte."
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