O analista ambiental João Arantes pediu licença do ICMBio para percorrer a Pacific Crest Trail, uma trilha de 4.265 km, após diagnósticos de burnout e autismo.
Olyvio Marques
Editor · Superação · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O analista ambiental João Arantes, de 30 anos, servidor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pediu uma licença não remunerada para realizar uma jornada de autoconhecimento: percorrer a pé os 4.265 quilômetros da Pacific Crest Trail (PCT), nos Estados Unidos. A decisão veio após receber diagnósticos de burnout, autismo nível 1, TDAH e ansiedade generalizada, que o levaram a reavaliar sua vida e carreira. Atualizado em 15 de julho de 2026.
A Pacific Crest Trail, ou PCT, é uma das mais famosas trilhas de longa distância dos Estados Unidos, conhecida como parte da "Tríplice Coroa" das caminhadas no país. Com uma extensão de 4.265 quilômetros, ela conecta a fronteira do México à do Canadá, atravessando os estados da Califórnia, Oregon e Washington. Conforme descrito pela revista GQ, o percurso passa por ecossistemas variados, incluindo desertos, florestas, lagos, a cadeia de montanhas da Sierra Nevada e os picos vulcânicos das Cascades.
Antes de iniciar a trilha, João atuava em Porto Velho (RO) lidando com crimes ambientais como desmatamento e garimpo. Segundo relatou, um conflito durante uma autuação o fez temer pela vida e questionar seus adiamentos. "Imagina se eu tivesse morrido agora e não tivesse feito a PCT?", refletiu em entrevista. Esse episódio, somado aos diagnósticos, o impulsionou a buscar uma mudança. Ele vendeu seus pertences e solicitou a licença ao ICMBio com um ultimato: "Aceitem minha licença ou eu vou perder o cargo, porque já vendi tudo e já fui embora". O pedido foi aceito.
A jornada começou com percalços. Uma crise de herpes-zóster adiou sua partida em seis dias. Além disso, ele iniciou a caminhada com uma mochila de quase 25 quilos e após quatro meses sem exercícios intensos. Ao longo do percurso, ele envia de volta itens desnecessários para aliviar o peso. A experiência também transformou sua relação com a solidão. "Estou viciado em ficar só. Aprendi a gostar da minha companhia", afirmou. Durante as caminhadas, ele ouve palestras da filósofa Lúcia Helena Galvão para refletir sobre sua vida à luz dos novos diagnósticos.
A travessia completa da PCT costuma levar cerca de cinco meses. No entanto, o tempo pode variar. João Arantes acredita que precisará de mais tempo, pois seu objetivo principal é a reflexão, não a velocidade. O português Fábio Inácio, por exemplo, completou o percurso em 108 dias, caminhando em média 39,5 km por dia.
A popularidade da trilha explodiu após o lançamento do livro "Livre" (Wild), de Cheryl Strayed, e sua adaptação para o cinema em 2014, estrelada por Reese Witherspoon. De acordo com a Pacific Crest Trail Association, o número de registros para percorrer a trilha quase quadruplicou entre 2013 e 2018.
Os trilheiros seguem o princípio de "não deixar rastros" (Leave No Trace). Eles carregam todo o lixo até a próxima cidade e utilizam uma pequena pá para enterrar as fezes. A cada quatro ou cinco dias, em média, eles chegam a cidades próximas para comprar comida, substituir equipamentos e descansar.
A caminhada de João Arantes pela Pacific Crest Trail é mais do que um desafio físico; é um processo de cura e redescoberta. Ao enfrentar desertos e montanhas, ele também confronta as complexidades de sua própria mente, usando a solitude da trilha para compreender seus diagnósticos e decidir qual será o próximo capítulo de sua vida quando a longa caminhada terminar.
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