Localizada a 35 km da costa de SP, a Ilha da Queimada Grande abriga milhares de serpentes venenosas. Descubra por que o local é tão perigoso e restrito.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Marinha do Brasil proíbe o acesso à Ilha da Queimada Grande, popularmente conhecida como Ilha das Cobras, devido ao extremo perigo representado por uma das maiores concentrações de serpentes venenosas do planeta. Atualizado em 22 de junho de 2026, a proibição para civis é absoluta desde 1985, visando proteger tanto a vida humana quanto a fauna endêmica do local, especialmente a jararaca-ilhoa.
A Ilha da Queimada Grande está localizada a 35 quilômetros do litoral sul de São Paulo, entre os municípios de Itanhaém e Peruíbe. O acesso é estritamente controlado pela Marinha do Brasil e restrito a pesquisadores autorizados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e cientistas do Instituto Butantan. A proibição foi oficializada pelo Decreto nº 91.887, de novembro de 1985, que classificou a ilha como Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE). A medida protege os humanos do risco de picadas e as serpentes do tráfico de animais.
As estimativas sobre a população de serpentes na ilha variam consideravelmente entre os estudos. Números apontam entre 2.000 e 15.000 indivíduos em uma área de 43 hectares (430.000 m²). Algumas pesquisas sugerem uma densidade aterrorizante, que pode chegar de uma a cinco cobras por metro quadrado em certas áreas, tornando o local o detentor da maior densidade populacional de uma única espécie de serpente no mundo. A ilha só perde em número total de cobras para a Ilha de Shedao, na China.
A principal habitante da ilha é a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), uma espécie que não existe em nenhum outro lugar do planeta. Ela se destaca por sua evolução única e veneno extremamente potente.
A ilha foi separada do continente há cerca de 11 mil anos, após o fim da última Era Glacial. As serpentes que ficaram isoladas evoluíram de forma independente. Sem predadores terrestres e com poucos roedores, sua principal fonte de alimento se tornaram as aves migratórias. Para caçá-las nas árvores, desenvolveram uma cauda preênsil e hábitos arborícolas, algo raro entre as jararacas.
A necessidade de abater as aves rapidamente, antes que pudessem voar para longe, levou à evolução de um veneno extremamente poderoso. Estudos indicam que a peçonha da jararaca-ilhoa é de 5 a 20 vezes mais tóxica que a de suas parentes continentais, capaz de matar uma presa quase instantaneamente e um ser humano em poucas horas se não houver tratamento.
O nome oficial é Ilha da Queimada Grande. O apelido "Queimada" surgiu porque, no passado, a Marinha e pescadores ateavam fogo na vegetação costeira na tentativa de afastar as serpentes para poderem desembarcar e realizar a manutenção do farol.
Sim. No final do século XIX, a Marinha instalou um farol que era operado por faroleiros que residiam no local com suas famílias. Eles foram retirados na década de 1920, quando o farol foi automatizado. Lendas locais contam a história trágica do último faroleiro e sua família, que teriam morrido após cobras invadirem sua casa.
Sim. Paradoxalmente, a jararaca-ilhoa está classificada como criticamente ameaçada de extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). As principais ameaças são o tráfico de animais, já que colecionadores chegam a pagar milhares de reais por um exemplar, e as mudanças climáticas que podem afetar as rotas das aves migratórias, sua principal fonte de alimento.
A Ilha da Queimada Grande é um laboratório natural único, onde a evolução moldou uma das serpentes mais letais do mundo. A proibição de acesso pela Marinha é uma medida essencial para preservar esse ecossistema frágil e perigoso, protegendo tanto a vida humana quanto uma espécie que, apesar de temida, luta para sobreviver.
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