O bilionário polonês Michał Sołowow propõe construir 14 reatores modulares para gerar energia para 8 milhões de lares por mais de 60 anos. Entenda o impacto do projeto.
Olyvio Marques
Editor · Energia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um consórcio liderado pelo bilionário industrial polonês Michał Sołowow anunciou um plano de £35 bilhões para construir 14 reatores nucleares modulares pequenos (SMRs) em três locais no Reino Unido. Atualizado em 4 de julho de 2026, o projeto visa abastecer o equivalente a 8 milhões de residências por mais de 60 anos, com a geração de energia prevista para começar em 2034, segundo informações do CPG Click Petróleo y Gas.
A iniciativa será conduzida pela SGE SMR, um consórcio da empresa de desenvolvimento nuclear de Sołowow. O plano envolve a implementação de reatores do tipo BWRX-300, uma tecnologia desenvolvida pela GE Vernova Hitachi, com cada unidade tendo capacidade de 300 megawatts. O investimento estimado por reator varia entre £2,2 bilhões e £2,5 bilhões.
O consórcio pretende definir os três locais para os projetos até meados de 2027. Um dos locais já citados é a antiga área nuclear de Oldbury, no sul de Gloucestershire, onde a SGE já apresentou uma solicitação de uso, conforme apurado pelo The Guardian e repercutido pelo CPG.
Além de fornecer eletricidade para milhões de lares, o projeto está ligado à crescente demanda de energia por data centers, especialmente aqueles que alimentam estruturas de inteligência artificial. A BBC News Brasil e a Euronews destacam que gigantes da tecnologia como Google e Microsoft estão recorrendo à energia nuclear para garantir um fornecimento constante e confiável para suas operações de IA. A joint venture firmada em Londres pelo consórcio de Sołowow inclui o Google Cloud, com a possibilidade de investimentos de até £4,5 bilhões em data centers para utilizar a energia gerada.
O plano de Sołowow insere-se em um cenário de revitalização do interesse por projetos nucleares no Reino Unido. A iniciativa privada compete diretamente com a Rolls-Royce, que também avança na implementação de pequenas e médias usinas, com previsão de iniciar a geração de energia em 2032, dois anos antes da SGE SMR.
O governo britânico tem incentivado ativamente o setor, com um investimento de quase 350 milhões de euros para desenvolver a produção interna de urânio de alto teor e baixo enriquecimento (HALEU), combustível essencial para reatores de nova geração que atualmente é produzido comercialmente apenas pela Rússia, conforme noticiado pela TV Europa. A meta do Reino Unido é atingir 24 GW de energia nuclear até 2050, o que representaria um quarto de suas necessidades elétricas.
Reatores modulares pequenos (SMRs) são reatores nucleares de menor porte, com potências geralmente de até 300 megawatts. Segundo especialistas consultados pela DW, eles podem ser construídos em fábricas e montados no local, o que pode tornar a construção mais rápida, barata e flexível em comparação com as usinas nucleares tradicionais de grande escala.
O interesse renovado na energia nuclear é impulsionado pela necessidade de fontes de energia limpas e confiáveis para atingir metas climáticas, garantir a segurança energética e suprir a alta demanda de eletricidade de setores como o de inteligência artificial, que exige fornecimento constante para seus data centers, como aponta a BBC News Brasil.
Michał Sołowow é um bilionário e industrial polonês. Seu interesse em energia nuclear não é novo; em 2019, ele já havia iniciado uma colaboração com a gigante nipo-americana GE Hitachi para construir reatores modulares na Polônia, de acordo com um relatório da DW.
O ambicioso projeto de £35 bilhões de Michał Sołowow representa um dos maiores investimentos privados em energia nuclear no Reino Unido, alinhado à estratégia do país de expandir sua capacidade nuclear e reduzir a dependência de combustíveis fósseis e importados. A iniciativa destaca o papel crescente dos reatores modulares e a forte demanda do setor de tecnologia como catalisadores para a nova era da energia nuclear.
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